Nobel de Qu�mica 2026 vai para pesquisas que fazem a qu�mica escolher imagens espelhadas

Nobel de Qu�mica 2026 vai para pesquisas que fazem a qu�mica escolher imagens espelhadas

O prêmio Nobel de Química de 2026 ficou com os pesquisadores Henri Kagan, da Universidade Paris-Sud, da França, e para Kenso Soai, da Universidade de Ciência de Tokyo, no Japão. O prêmio é pela descoberta de efeitos não lineares e da autocatálise na síntese orgânica assimétrica. Os laureados foram anunciados, na manhã desta quarta-feira (7), pela Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo, na Suécia. O prêmio é para química fundamental. As moléculas ocorreram em duas versões diferentes —o que, em química, recebe o nome de quiral. Tal qual duas mãos, são iguais, espelhadas, mas não podem ser sobrepostas de modo perfeito. Quiral, inclusive, vem da palavra grega para mão. Um exemplo citado durante a apresentação diz respeito à carvona, cuja uma das versões quirais tem cheiro de menta, enquanto a outra, a cominho. A razão é porque os receptores pelos quais sentimos cheiros são construídos por blocos quirais. Todas as proteínas no corpo usam, porém, a quiralidade de mão esquerda. As versões de direita são raras na natureza. "A vida, como a conhecemos, é homoquiral", diz Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química Presidente do Comitê Nobel de Química. Um dos impactos mais importantes da quiralidade está na produção de medicamentos. A quiralidade em uma droga pode levar a efeitos desejados ou a situações de resultado nulo ou prejudicial. Em situações de quiralidade, então, como fazer com que uma reação crie somente uma das imagens espelhadas? Os pesquisadores premiados com o Nobel neste ano conseguiram tal feito. A premiação deste ano é de 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões). O valor foi atualizado neste ano, dado que até 2025 era de 11 milhões. Além do valor em dinheiro, os laureados recebem uma medalha de ouro, com o rosto de Nobel, e um diploma. A química era a área de conhecimento mais importante para o trabalho de Alfred Nobel (1833-1896), criador da láurea, e é o segundo prêmio mencionado por ele em seu testamento. O sueco é conhecido por ter sido o inventor da dinamite. Premiações anteriores O Nobel de Química de 2025 foi para o japonês Susumu Kitagawa, 74, da Universidade de Kyoto (Japão), o britânico Richard Robson, 88, da Universidade de Melbourne (Austrália), e o jordaniano Omar M. Yaghi, 60, da Universidade da Califórnia, Berkeley (Estados Unidos), pelo desenvolvimento de estruturas metalorgânicas. Em 2024, a láurea de Química foi dividida entre David Baker, Demis Hassabis e John Jumper. A premiação foi pelo uso de técnicas computacionais para projetar ou inferir a estrutura tridimensional das proteínas, que estão entre as moléculas mais importantes do organismo dos seres vivos. Surgido em 1901, o prêmio de Química foi entregue 117 vezes. Nos anos 1916, 1917, 1919, 1924, 1933 e de 1940 a 1942 não houve premiação. Ao todo, 200 pessoas já ganharam a láurea até o momento, sendo que duas delas a receberam duas vezes. São elas o britânico Frederick Sanger (1918-2013), agraciado em 1958 e 1980, e o americano K. Barry Sharpless, 84, em 2001 e 2022.

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