Onipresentes na campanha, principalmente no segundo turno, os canais do WhatsApp registraram a intensidade do domingo eleitoral. Na guerra entre direita e esquerda no WhatsApp, os apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mobilizaram para que a Justiça prorrogasse o fim da votação após relatos de falta de transporte público em várias cidades do país. Os grupos alinhados à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, revidaram afirmando que manter urnas abertas até as 19h seria uma tentativa de ganhar por "tapetão". Os dados são da plataforma Palver, que monitora em tempo real mais de 100 mil grupos públicos no WhatsApp, além de 5.000 canais no Telegram. Desde o início da tarde, eleitores de Salvador (BA) relatavam dificuldade de deslocamento até seus locais de votação por falta de ônibus. O tema ganhou eco em outras cidades, como São Paulo (SP), João Pessoa (PB) e São Gonçalo (RJ), que também tinham longas filas em pontos e terminais de transporte público. O tema chegou a angariar mais de 2.000 mensagens nos grupos monitorados pela Palver ao longo do dia. No canal Exército do Lula, o deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do grupo, mobilizou os seguidores para oferecerem carona a eleitores até seus colégios eleitorais. "O importante é garantir que TODOS os brasileiros exerçam o direito ao voto. Usem suas redes para denunciar e exigir", escreveu Janones. A mobilização também chegou ao X. A hashtag #VotacaoAte19Horas apareceu na tarde de domingo como o assunto mais comentado da rede social. Entre as postagens com maior engajamento estavam as do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e de Jones Manoel (PSOL), eleito deputado federal por Pernambuco neste ano, que pediram ao TSE a prorrogação do horário de votação. O PT acionou a Justiça Eleitoral pedindo a prorrogação da votação devido aos problemas no transporte público. A decisão só foi concedida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin minutos antes das 17h, horário originalmente previsto para o fechamento das urnas. Com isso, muitas urnas foram fechadas e a decisão não pôde ser plenamente aplicada. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido ao TSE a ampliação do horário, restrita a cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, principalmente por causa das chuvas. A confusão gerada pela decisão judicial tardia pautou a mobilização do lado bolsonarista. Em um vídeo publicado nas redes sociais e compartilhado no canal Tropa do Flávio, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o parecer de Zanin tinha se baseado em uma narrativa criada pelos petistas. Nikolas classificou a sentença como "impossível de ser cumprida" e disse que "o lado de lá" quer "ganhar no tapetão". "Se a gente ganhar é o natural, é o normal. Agora, amigos, se a gente perder, essa prorrogação ajudou somente um time, que era o time que precisava virar", concluiu. Alegações de que estaria sendo arquitetada uma fraude eleitoral e um golpe mobilizaram mais de 500 mensagens nos grupos monitorados pela Palver. Menções ao "tapetão" mencionado por Nikolas apareceram em mais de 200 mensagens. Às 19h31 e às 19h32, a mesma mensagem circulou em três grupos de WhatsApp de apoio a Flávio, que somam cerca de 2.400 integrantes: "Lula perdeu essa eleição e quer ganhar no tapetão. É uma vergonha o que estamos assistindo no Brasil!". O texto vinha acompanhado de um vídeo do pastor Silas Malafaia, que chegou a 293 mil curtidas no Instagram. A decisão tornou ainda o Judiciário parte da disputa nas redes sociais. As críticas feitas pela direita à Zanin, ex-advogado do presidente, envolvem alegações diretas de golpe e à atuação do ministro do STF pela liminar favorável à Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que inclui o PT. Fora do WhatsApp, a Palver registrou cerca de 6.000 postagens de aproximadamente 3.000 autores no Instagram que citavam as eleições junto com Zanin, Nunes Marques, TSE, STF ou urnas. Já as críticas a Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro, tratam do que alegam ser uma demora para decidir sobre a prorrogação do tempo de votação e do que veem como boicote na redução do transporte público em algumas cidades. GUERRA NO WHATSAPP Desde a votação de 1º turno, no último dia 4, as campanhas de Lula e Bolsonaro travam uma disputa de canais no WhatsApp para mobilizar eleitores. O Exército do Lula chegou a 10,8 milhões de seguidores, contra 2,1 milhões de seguidores da Tropa do Flávio, criada pela campanha presidencial do PL e comandada pelos parlamentares Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO). O pedido de voto nas redes sociais é proibido no dia das eleições, mesmo que seja feito em publicação sem impulsionamento pago. Assim, os canais tiveram pouca movimentação até o início da mobilização para o postergamento da votação. Ao longo do domingo, nos grupos monitorados pela Palver, os ataques à esquerda focaram no filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, com mais de mil menções a "Lulinha" no aplicativo de mensagens. Ele era tratado como sócio pela lobista Roberta Luchsinger, embora as autoridades não tenham revelado um vínculo formal até o momento. Roberta e Lulinha são alvos de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) que apuram supostos casos de tráfico de influência —os dois negam irregularidades. O eleitorado bolsonarista questiona quem paga as contas de Fábio na Espanha. O eleitorado simpático a Lula dividiu seus ataques em três principais flancos: a defesa de Flávio do cabo da PM Bruno Dias Delaroli (mil mensagens), acusado de matar a menina Ana Clara com um tiro de fuzil; declarações do senador bolsonarista contra o fim da escala 6x1 (890 mensagens); e uma festa do parlamentar com garotas de programa em uma embarcação no lago Paranoá, em Brasília (274). As mensagens do eleitor de esquerda recordam casos de supostas ligações do senador com a milícia e citam como novidade os escândalos recentes sobre festas na pandemia e a possível sociedade em bets. A plataforma mostrava Lula à frente no número de menções: 58 mil publicações e 17 mil posts. Flávio aparece em 37 mil mensagens e 20 mil publicações.
No 'zap', esquerda se mobilizou por prorroga��o de vota��o, e direita fala em 'tapet�o'
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