"Abra a porta desse armário que não tem censura para me segurar", diz a cantora Daniela Mercury. "Esse momento de discussão sobre direitos LGBTQIA+, tentativas de retrocesso, aqui e em outros lugares da Europa, nos Estados Unidos. E eu queria dizer que a diversidade nos enriquece tanto. Não há como retroceder em direitos." 61 anos de idade, 40 de carreira, a poucos meses de ser receber um prêmio pelo conjunto da obra no Grammy Latino. Daniela Mercury vai ser a primeira artista do axé a ter esse reconhecimento no currículo. Em turnê pela Europa, ela conversou com a DW. "[O Grammy Latino] é uma vitória fantástica. É a consagração da minha geração. É a consagração de um outro tipo de música brasileira. É a consagração e um prêmio pelo trabalho de internacionalizar também essa música", afirma. "Eu gostaria que o povo brasileiro olhasse para si com mais orgulho. Nós somos uma potência cultural gigantesca, nós somos maravilhosos, queridos, respeitados no mundo. E é divertido ver os alemães completamente encantados, sem nem entender direito o que eu canto." "Eu, desde criança, queria andar pelo mundo. E achei que seria com um grupo de dança. E foi, de certa forma, porque eu não parei de dançar." "Eu pude trazer uma ideia mais completa dos sentimentos de uma mulher brasileira de Salvador, de como a gente é, como a gente pensa. Foi maravilhoso fazer um novo gênero, ser precursora de um novo gênero, percussivo, brasileiro, rítmico, forte, politizado, que afirmou a importância de nosso povo preto, da nossa música, do samba, dos ritmos nordestinos, do nosso sotaque, do nosso jeito de dançar." "Eu peço gentileza, eu peço amor, eu peço afeto. Não tenham medo do mundo, não tenham medo das pessoas. Não tenham medo."
'N�o tem censura para me segurar', diz Daniela Mercury sobre sexualidade
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