No SP2B, Museu Afro Brasil revela o passado empreendedor das mulheres negras

No SP2B, Museu Afro Brasil revela o passado empreendedor das mulheres negras

São Paulo Engana-se quem acha que o empreendedorismo é coisa nova. O Museu Afro vai mostrar no SP2B como as mulheres negras já trabalhavam por conta própria nas ruas e nas casas ainda nos séculos 18 e 19 —vendiam quitutes, costuravam, bordavam e lavavam roupa, por exemplo. Com o rendimento dos serviços, essas mulheres se sustentavam, mantinham a família ou podiam até mesmo ajudar na compra da alforria. A exposição "Bença! O Quilombo do Jaó, pelo olhar das crianças" está em cartaz até 12 de julho na marquise do Museu Afro Brasil - Levi Fanan/Divulgação As ganhadeiras ou quituteiras, como ficaram conhecidas, estão muito associadas à Salvador (BA), mas a presença delas aconteceu de forma mais ampla. Havia representantes em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Este tema será abordado durante o passeio imersivo "Uma Hora no Museu: A Origem das Empreendedoras", que vai percorrer espaços do Museu Afro —na quinta (13)— e apresentar obras e objetos que contam essa história. A intenção é explicar que para as mulheres negras, empreender sempre foi uma obrigação imposta pela pobreza e pela falta de alternativas. O educador que acompanha o passeio também deve mostrar como as antigas quituteiras se ligam às empreendedoras negras atuais. Mesmo com séculos de distância, ambas sofrem com falta de acesso à educação e emprego formal, baixa remuneração e dificuldade para alcançar cargo de liderança. E este não será o único tema dentro da programação "Uma Hora no Museu", que acontece duas vezes por dia, às 11h30 e às 15h30, dentro do SP2B. Viabilidade econômica de instituições culturais e tecnologia ancestral também serão abordados, respectivamente, na segunda (10) e na quarta (12). Imersão a respeito do mercado de arte para negros será feita na sexta (14), em "Viver de Arte". No dia seguinte, a "Força das Comunidades" deve relacionar a rede de empreendedores atuais com o funcionamento de irmandades, quilombos e terreiros. As atividades do SP2B realizadas no espaço do Museu Afro são gratuitas. Isso inclui as sessões itinerantes e os painéis no auditório do local. O palco Beginning 2 by Aladas é uma exceção. Acontece em local reservado, no térreo do museu, com acesso apenas para convidados. Pessoas credenciadas terão entrada liberada mediante apresentação do crachá do evento. Não credenciados precisarão retirar pulseira na recepção do espaço. Essa é a primeira vez que São Paulo recebe o SP2B. São painéis, oficinas e encontros com especialistas a fim de reunir assuntos ligados à inovação, tecnologia, efeito social e criatividade, com o parque Ibirapuera como sede, entre domingo (9) e 16/8. Desde a fundação, em 2004, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo ocupa o pavilhão de 12 mil m² no parque. O nome homenageia o idealizador e fundador do espaço, Emanoel Araujo (1940-2022). O baiano também é conhecido pela atuação como escultor, pintor, desenhista e museólogo. Parte do acervo no museu partiu da coleção pessoal de Araujo. Além de artista premiado, ele foi diretor da Pinacoteca de São Paulo entre 1995 e 2002. Quando foi gestor do Museu Afro, Araujo foi curador da exposição "África Africans", que foi premiada como melhor exposição de 2015 pela ABCA.Para representar a trajetória do museu, lideranças atuais da instituição participam de painéis do SP2B. Maurício Pestana, membro do conselho de administração, quer mostrar como transformar arte em profissão. Ele aborda oportunidades comerciais, desenvolvimento de marca, formação de público e o efeito da criatividade sobre novos negócios. Acontece na sexta (14), às 13h. Além de palestrante, Pestana atua como artista visual, cartunista e escritor. Jandaraci Araujo, diretora executiva do museu, estará no palco Beyond - Cities Reimagined, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, na próxima sexta-feira (14). Às 12h30 ela apresenta um painel que defende a cultura como parte da vida urbana. Outras instituições participam do debate que aborda maneiras de ampliar a conexão entre os equipamentos culturais do parque Ibirapuera. Participarão do debate representantes da Urbia, do MAM, da Fundação Bienal e da Oca.

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