No Brasil, Carr�re curte chorinho, regula caipirinha e � assediado no aeroporto

No Brasil, Carr�re curte chorinho, regula caipirinha e � assediado no aeroporto

Na noite do Rio de Janeiro, um homem italiano reconheceu Emmanuel Carrère e fez semblante de choque. Abordou o francês, emocionado, e disse que era um dos autores da sua vida. "Limonov", em especial, é sensação na Itália. Ao redor, o chorinho continuava a tocar. Antes, Carrère já tinha sido abordado em pleno aeroporto por gente com livros para ele autografar, cena adequada a um discreto rockstar de 68 anos. O escritor não está acostumado a fazer sucesso no Brasil. Tem impressionado com sua gentileza e curiosidade quem esperava um artista atormentado, com postura de diva. Editado por aqui desde o fim dos anos 1990, seu alcance se ampliou muito com a publicação de "Ioga", três anos atrás —seu campeão de vendas, que já fez circularem 40 mil exemplares. Ao todo, seus oito livros na Companhia das Letras já passaram a marca de 100 mil. No selo Alfaguara, a editora relançou seus demais títulos em novo projeto gráfico, incluindo "Um Romance Russo", "Outras Vidas que Não a Minha" e "O Adversário" —a trama sobre um homem que matou a própria família tem sido redescoberta por leitores agora e vendido surpreendentemente bem. Depois de se apresentar com Gregorio Duvivier no Teatro Carlos Gomes, Carrère foi levado por ele e seu editor brasileiro, Marcelo Ferroni, para ouvir samba no Glorioso Cultural, na rua do Catete. Filmou os músicos com seu celular. Tomou uma caipirinha, gostou, pediu outra. Responsável, parou ali. À meia-noite estava no hotel. Fez na quinta-feira (24) a ponte aérea para São Paulo, onde foi recebido à noite em um jantar na casa da cônsul-geral Alexandra Mias, com presença do novo embaixador francês no Brasil, Julien Steimer, em seus primeiros dias no cargo. Tudo a Ler Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias Na ocasião, Lilia Schwarcz declarou ser "um sonho" receber Carrère como o convidado internacional da comemoração dos 40 anos de sua editora, em evento neste sábado (26) —sinal de sua rápida ascensão em importância no catálogo da Companhia. Seu marido e sócio, Luiz Schwarcz, também esteve no jantar, assim como a tradutora dos livros do francês, Mariana Delfini, o escritor mui francófono Marcelo Rubens Paiva e a psicanalista Vera Iaconelli, que vai dividir palco com Carrère no sábado. A demanda pela mesa foi tão alta —os ingressos se esgotaram em minutos— que a Companhia abriu um novo evento com Carrère no domingo (27), no Sesc 14 Bis. Será nos mesmos moldes do primeiro, com presença de Iaconelli e leituras feitas por Andréa del Fuego. Os ingressos serão disponibilizados online a partir das 14h do sábado (26). O francês já veio quatro vezes ao Brasil: a primeira, nos anos 1970, foi para visitar um amigo em Brasília; depois, esteve na Flip em 2011. Mas só agora vem como um autor tão celebrado por aqui, algo que afirma, com voz dominante e grave, ser um pouco espantoso. Na Rússia, por exemplo —país que tem ligação umbilical com sua vida e seu projeto literário—, nunca deram a menor bola para seus livros. Durante o jantar, lembrou a frase de Winston Churchill sobre o país ser "um enigma envolto em mistério, dentro de uma charada". Mas está procurando desvendar o Brasil. Perguntou aos colegas sobretudo de música popular —sua curiosidade pela situação política do país murchou um pouco diante de respostas carregadas de preocupação. Para desanuviar, seus anfitrões ainda estão pensando aonde levar o autor para curtir as próximas noites. Estão entre samba e forró. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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