N�o adianta baixar juros na for�a bruta, diz CEO do Ita� sobre discuss�o fiscal

N�o adianta baixar juros na for�a bruta, diz CEO do Ita� sobre discuss�o fiscal

São Paulo O Itaú Unibanco não vê com bons olhos uma eventual redução da taxa básica de juros (Selic) desvinculada da trajetória dos juros futuros, como discutido nos últimos dias. A proposta passou a ser debatida após membros do governo Lula se debruçarem sobre o trabalho do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que sugere novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária em meio à preocupação com o rumo das contas públicas. "É do interesse de todos trabalhar com juros estruturalmente mais baixos. Mas, para isso, precisamos criar as condições, porque o risco que corremos é imaginar que a queda de juros de curto prazo pode ser feita na força bruta. O efeito que isso gera na sequência é a curva de juros de longo prazo, onde todas as empresas e pessoas físicas se financiam, vai aumentar de forma importante", disse Milton Maluhy, CEO do Itaú, nesta quarta-feira (4), ao comentar o balanço do banco referente ao terceiro trimestre deste ano. O CEO do banco Itaú, Milton Maluhy Filho, na sede da empresa na av. Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo - Zanone Fraissat - 5.fev.26/Folhapress Segundo o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, um eventual tabelamento de juros não está no radar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fala ocorreu após reportagem da Folha mostrar que integrantes do governo afirmaram que existe a tentativa de agendar uma reunião de Lula com economistas que possam trazer visões diferentes para a solução do problema fiscal. "Acho que não tem ainda uma discussão, acho que tem especulação. E aí, quando escutamos especulações, ideias, sugestões, recomendações, procuramos ser muito serenos para avaliar propostas concretas", afirmou Maluhy, do Itaú. O executivo fez coro ao mercado e disse que aguardam a definição da equipe econômica do Lula 4, sendo importante a definição de quem será o ministro da Fazenda e de que forma ele vai atuar. "O mercado, por definição, não tem partido. Ele olha para propostas concretas. Então, o próprio Lula teve ciclos muito favoráveis em mandatos anteriores. Em 2002, ele se beneficiou muito de políticas claras, transparentes. Os resultados acompanharam, o Brasil virou investment grade lá atrás", disse o executivo, lembrando o momento em que o país ganhou grau de investimento, ou seja, o selo de bom pagador. Maluhy afirmou que voltar a ter esse grau de investimento é um bom objetivo para o país, especialmente quando vizinhos da América do Sul têm esse atrativo. "Isso afeta a capacidade de financiamento do país, seja do ponto de vista de volume e recursos, seja do ponto de vista de preço e capacidade de financiamento. E, tão importante quanto o social é o fiscal, ou tão importante quanto o fiscal é o social, os dois têm que andar de mãos dadas", afirmou o CEO do Itaú. Ele citou a desvalorização do câmbio, que pode gerar um aumento da inflação. O petróleo em alta e a reforma tributária também podem impulsionar a alta de preços, o que levou alguns economistas a projetarem uma inflação de até 6% em 2027, segundo Maluhy. "Quando a inflação piora, a reação do Banco Central é os juros. Então, mais de 70% das casas consultadas no mercado já imaginam uma pausa na redução de juros hoje na reunião do Copom. E esses juros devem continuar em um patamar restritivo por um prazo prolongado, praticamente estável ao longo do ano que vem inteiro, dependendo naturalmente das condições econômicas", disse o executivo. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesSegundo Maluhy, juros menores criariam a oportunidade para os bancos crescerem a carteira de crédito de forma mais acelerada, porque a inadimplência tende a cair. "Obviamente, olhando para frente, as condições econômicas são piores. Quando a gente olha o cenário de 2027, os economistas estão revisando suas projeções de PIB [Produto Interno Bruto], então possivelmente com menos crescimento e aumento de desemprego." O executivo reafirmou a política do Itaú de priorizar a concessão de crédito a clientes com maior capacidade de pagamento e com linhas com garantias. "No quarto trimestre, continuamos acreditando na nossa dinâmica de construção de portfólio, principalmente porque temos crescido acima de dois dígitos nos públicos, especialmente, de média e alta renda, que é uma fortaleza do banco e onde a gente tem posicionado o portfólio ao longo dos anos."Com produtos menos arriscados e, por consequência, menos rentáveis, o banco também prioriza o corte de custos para seguir gerando uma rentabilidade acima dos pares. "Isso passa por priorização, por renúncias, por tecnologia e transformação. Quando você olha para frente e vê um cenário mais desafiador, especialmente do ponto de vista de atividade, capacidade de geração de novos negócios, de crescimento de carteira, o exercício que só depende de nós fica do lado do custo", afirma Maluhy. "Não temos que deixar de investir, sempre olhando para o futuro, sem em nenhum momento hipotecar o futuro, mas ao mesmo tempo fazendo boas escolhas e priorizando adequadamente", completa. Puxado pelo aumento na concessão de crédito com garantia, o Itaú Unibanco teve um lucro líquido recorrente de R$ 12,617 bilhões no terceiro trimestre deste ano, informou o banco na terça-feira (3). O resultado é 6,2% maior que o registrado no mesmo período de 2025 e representa uma alta de 1,7% ante o segundo trimestre de 2026. O ROE (retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado), indicador de rentabilidade do banco, caiu de 24,3% para 23,6% em três meses. Na comparação anual, há alta de 0,6 ponto percentual. RAIO-X | ITAÚ UNIBANCO NO 3º TRI DE 2026 Fundação: 2008, ano de fusão do Banco Itaú e do Unibanco Lucro líquido: R$ 12,6 bilhões Clientes: 70 milhões Agências físicas no Brasil: 1.664 Funcionários: 89,6 mil Principais concorrentes: Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Nubank

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