Ningu�m sabe quem vai governar. E da�?

Ningu�m sabe quem vai governar. E da�?

Semana passada, durante um café, uma amiga me perguntou se eu achava loucura abrir o próprio negócio agora, em pleno ano eleitoral. É um desses momentos de incerteza generalizada, em que a economia atravessa meses sem saber quem vai comandar o país. A pergunta ficou comigo, porque ela toca num ponto sensível que todo empreendedor conhece bem, a vontade de agir esbarrando no medo de agir na hora errada. A explicação para esse impasse vai além da intuição. Pesquisas recentes com empresários brasileiros mostram que a maioria diz estar pessimista com os rumos do país neste ano eleitoral, mas segue otimista com o próprio negócio. Ou seja, desconfiamos do cenário e confiamos em nós mesmos. Talvez seja exatamente essa a divisão que explique por que tanta gente trava justamente agora. Ano eleitoral pede cautela, isso é inegável, e economistas costumam dividir esse período em dois momentos bem distintos. No primeiro semestre, a eleição ainda não domina o debate. A renda que circula por programas sociais e crédito público costuma chegar rápido ao comércio local, quando a oportunidade aparece mais clara. Já no segundo semestre, com a disputa mais acirrada, o mercado fica mais tenso à espera de sinais sobre o compromisso fiscal do próximo governo, e o câmbio e os juros sentem primeiro. Quem depende de crédito ou de importação sente isso de perto e, claro, não é hora de ignorar risco, é hora de medir com mais cuidado onde o seu negócio toca essas variáveis. Mas cautela não é sinônimo de paralisia. Enquanto os grandes players recuam esperando clareza, o mercado fica mais vazio, com menos gente disputando espaço e atenção. Foi assim, em outros momentos de incerteza generalizada, que negócios nasceram e prosperaram. A Microsoft começou dias depois do fim de uma recessão grave, o Airbnb surgiu quando dois amigos precisavam pagar aluguel numa crise interminável, e a Kellogg dobrou a aposta em publicidade durante a Grande Depressão, ultrapassando a concorrência. Nenhum deles esperou o cenário ficar propício para começar e nesses exemplos cabe a famosa frase de Warren Buffett "Tenha medo quando os outros forem gananciosos, e seja ganancioso apenas quando os outros forem com medo". No setor da beleza, aprendi algo parecido na prática. Mesmo quando a economia balança, as pessoas não desistem de cuidar de si, já que autoestima não é luxo, é necessidade, e isso sustenta negócios inteiros mesmo quando tudo ao redor parece incerto. Talvez o ano eleitoral só torne visível uma verdade antiga sobre empreender. Você nunca tem o mapa completo antes de sair andando e o mundo sempre pede de nós a coragem de decidir mesmo sem chão firme debaixo dos pés. Empreender, no fundo, sempre foi isso e a eleição só deixa mais claro que esperar a certeza total é, muitas vezes, escolher não começar. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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