�nibus de S�o Paulo em hor�rio de pico s�o mais lentos que galinha e patinete el�trico

�nibus de S�o Paulo em hor�rio de pico s�o mais lentos que galinha e patinete el�trico

Quando precisa ir para regiões da rua 25 de Março, no centro, ou à zona norte de São Paulo, o técnico de informática Carlos Henrique dos Santos, 51, já sabe: vai demorar para chegar de ônibus em casa, no Bixiga, também no centro. "A linha Metrô Santana-Itaim Bibi [106A], quando volta, é cruel", diz. "O trecho do [terminal] Bandeira, que não tem faixa exclusiva, mata a linha das 17h às 19h30." Dados levantados pela SPTrans, estatal que gerencia o transporte urbano por ônibus na capital paulista, a pedido da reportagem apontam que às 17h, no início do horário de pico da tarde, a velocidade dos coletivos chega a cair a 12,37 km/h. Uma abelha, que alcança 25 km/h, levaria metade do tempo para chegar ao destino, se voasse no mesmo trajeto do ônibus. Os veículos são mais lentos que uma galinha —o animal atinge cerca de 14,5 km/h. Os patinetes elétricos, cujo limite em ciclovias e ciclofaixas foi definido recentemente em 20 km/h no município, também são bem mais rápidos. A velocidade 12,37 km/h foi medida às quartas-feiras, o pior dia da semana. As variações são pequenas. Na maior dessas velocidades mínimas, os coletivos chegam a 13,08 km/h às segundas e terças. A medição vale para todo o trânsito. O horário das 17h é quando os coletivos seguem com mais dificuldade sentido bairros. Fora dos horários de pico, a velocidade mais alta que os ônibus alcançam na capital é durante a madrugada: 28,84 km/h às 2h das segundas-feiras. Conforme as aferições da SPTrans, a velocidade média varia pouco ao longo da semana, mas, em comparação com 2019, os ônibus estão mais devagar. No horário de pico da manhã (sentido centro), atualmente a velocidade média é de 15 km/h. Em 2019, antes da pandemia, era de 16 km/h. Nas faixas exclusivas, a média se manteve de 20 km/h e 19 km/h, respectivamente. Já nos corredores, a atual é de 20 km/h, enquanto em 2019 era de 22 km/h. No sentido oposto, em direção ao bairro, no pico da tarde, a velocidade média é de 16 km/h e 15 km/h, também respectivamente. Nas faixas exclusivas, em ambos os anos, a média foi de 17 km/h. Os corredores registram estabilidade no período, com 20 km/h em 2019 e 19 km/h em 2026. Não há um estudo recente no país que unifique os índices de velocidade e são poucos os dados disponibilizados por municípios, segundo a NTU (Associação Nacional de Transporte Urbano). Mas a lentidão dos coletivos não é uma exclusividade de São Paulo. Há registros piores em grandes metrópoles pelo mundo. Em Paris, a velocidade média medida em horários de pico em 2024 foi de 8,85 km/h. Em Barcelona, de 10,8 km/h. Londres tem estatística ligeiramente superior à da capital paulista, de 14,76 km/h. Ciro Biderman, diretor do FGV Cidades, diz que esse é um reflexo da falta de prioridade em transporte público. É preciso investir em corredores eficientes à esquerda, aponta, como os da avenida 9 de Julho, que ligam a região central ao Itaim Bibi, na zona oeste, e faixas exclusivas. Em nota, a SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte) e a SPTrans dizem que a gestão Ricardo Nunes (MDB) entregou 54 km de faixas exclusivas para ônibus e um novo trecho do corredor Itaquera, na zona leste. Além disso, afirma o texto, estão em andamento as obras dos BRTs (corredores rápidos) Radial Leste e Aricanduva e dos corredores Celso Garcia, Itaquera, Santo Amaro, Amador Bueno da Veiga, Interlagos e Estrada de Itapecerica. "Todas são intervenções que vão contribuir para a melhoria da velocidade média dos ônibus quando concluídas", diz. Esses investimentos tendem a fazer a diferença no velocímetro. Em Curitiba, a velocidade média operacional do sistema de BRT em faixas prioritárias, no horário de pico, é de 20 km/h, enquanto a média do transporte público coletivo em vias de tráfego misto é de 18 km/h. Serviços específicos, como o Ligeirão Pinheirinho–Atuba (ônibus com capacidade para levar até 250 passageiros por viagem e com poucas paradas), podem alcançar cerca de 24 km/h. A avenida 9 de Julho de São Paulo, citada por Biderman, tem os dois extremos. Nos trechos sem corredores, a via se torna um caos para o passageiro, como relata o técnico de informática Carlos Henrique dos Santos sobre a região com a avenida São Gabriel. "Ali trava tudo." O especialista em mobilidade diz que se a velocidade dos ônibus dobrasse, haveria queda expressiva dos custos do setor, entre outros, com contratação de motoristas e com economia de combustível, graças à fluidez dos veículos. Com mais velocidade, sobe a frequência dos coletivos nos pontos —o atraso é uma das principais queixas dos passageiros. "Geralmente não se tem coragem de priorizar os ônibus porque o retorno político é baixo. O próprio usuário sonha em ter um carro", diz. Lentidão e frequência irregular estão entre as causas que têm feito passageiros de ônibus migrarem para meios de deslocamento individuais, inclusive mototáxi, aponta Sérgio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes. "O sistema de ônibus em São Paulo tem 22% a menos usuários hoje do que antes da pandemia", diz —segundo dados da SPTrans, em julho de 2019 foram transportadas quase 212 milhões de pessoas, contra 166,5 milhões no mesmo mês de 2026. A frota de ônibus também diminuiu, de 14.151 para 13.573. "É um ciclo destrutivo, cai o número de passageiros, de ônibus e da velocidade", diz Ejzenberg. Além de trânsito —São Paulo tem batido recordes de congestionamentos no início da noite— e da falta de infraestrutura, há o inesperado. A comerciante Luiza Costa Oliveira, 45, moradora na zona sul, conta que um motorista do ônibus em que estava recentemente teimava em não acelerar o veículo por medo de ser multado, apesar dos protestos. Enquanto isso, outros coletivos que vinham atrás tinham de ultrapassar o ônibus do condutor receoso na avenida Ibirapuera. "Naquele dia era para eu estar em casa por volta das 18h45, mas só cheguei depois das 20h", afirma. Na nota, a prefeitura diz que investe continuamente no transporte público para torná-lo mais atrativo e eficiente. Afirma que São Paulo possui o maior número de ônibus elétricos do país com 1.759 veículos. Cita ainda que em 2019 havia 6.804 coletivos com ar-condicionado e hoje são 12.120. "Além disso, 100% da frota operacional conta com USB e wifi." Suspeitas sobre os ônibus da capital Não é apenas a lentidão que afeta o transporte público de São Paulo. Investigações do Ministério Público e da Polícia Civil apontam que o PCC (Primeiro Comando da Capital) se infiltrou nas operações das viações que atendem linhas em toda a capital. A Operação Vectura Corrupta afirmou que a facção controla 12 empresas de ônibus da Grande São Paulo em um esquema de lavagem de dinheiro. Uma das companhias investigadas é a Transwolff, que atua na zona sul da cidade. A empresa nega irregularidades. A informação consta da representação que deu origem à operação do último dia 17, que culminou com a prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Milton Leite (União Brasil). Foram expedidos mandados de prisão contra mais 15 pessoas, e 18 endereços sofreram busca e apreensão. O sistema de transporte coletivo em São Paulo é dividido em três lotes. O primeiro exige veículos grandes e faz ligações entre grandes eixos da cidade. O segundo, chamado de articulação regional, abrange ônibus de médio porte e liga bairros a corredores. Já o terceiro, menor, abarca somente linhas de bairro. É neste último que se encontram as empresas suspeitas de manter relações com a facção. A Prefeitura de São Paulo disse em nota ter criado um grupo de trabalho para analisar os elementos da investigação e que "está analisando rigorosamente os contratos, documentos e eventuais vínculos com os fatos investigados na operação". Afirmou também que "não compactua com qualquer irregularidade e seguirá colaborando integralmente com as autoridades competentes".

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.