As catástrofes provocadas pelas mudanças do clima têm consequências dramáticas para os direitos das meninas e mulheres jovens, afirma a ONG humanitária Plan International em relatório publicado na segunda-feira (5). Desastres como inundações, secas, ciclones e calor extremo estão sobrecarregando os serviços de saúde e destruindo infraestruturas das quais as meninas dependem, como escolas. Isso aumenta o risco de gravidez precoce e violência. O documento se baseia em uma pesquisa realizada com 5.000 meninas e jovens de 15 a 24 anos no Peru, Senegal, Zimbábue, Quênia e Bangladesh. Uma das jovens entrevistadas, uma senegalesa de 23 anos que teve sua identidade preservada, contou que sofre muito durante ondas de calor. Por causa disso, muitas vezes precisa dormir ao ar livre com seus filhos, mesmo sabendo que essa não é uma opção segura. Eventos climáticos extremos podem agravar desigualdades e vulnerabilidades já existentes, aumentando a pressão sobre famílias, comunidades e serviços. O crescimento da pobreza pode levar a mais casamentos infantis, já que força famílias a casar suas filhas como uma "estratégia de sobrevivência", diz o relatório. O levantamento mostrou que uma em cada dez meninas relatou uma gravidez não planejada "após um evento relacionado ao clima" e 33% disseram ter ocorrido um aumento no número de gestações não planejadas em sua comunidade. Segundo o relatório, nove em cada dez meninas disseram que eventos climáticos estavam exercendo forte pressão sobre a sobrevivência, saúde e estabilidade de suas famílias. "Serviços de saúde sexual e reprodutiva costumam ser negligenciados no planejamento das respostas a emergências e eventos climáticos", diz a ONG. "Constatamos que muitas meninas e mulheres jovens enfrentaram dificuldades para ter acesso a métodos contraceptivos, assistência à maternidade, apoio à saúde menstrual, aconselhamento e outros serviços essenciais após eventos climáticos extremos." Cerca de 28% disseram ter testemunhado um aumento da violência contra as mulheres após eventos relacionados ao clima. O índice sobe para 60% no Zimbábue, país gravemente afetado pelo aumento das temperaturas atribuído à atividade humana. "As secas de longa duração destroem a economia familiar que impede que as meninas sejam forçadas a se casar", explica a Plan International. Em 52 países e ao longo de três décadas, secas prolongadas foram o fenômeno mais sistematicamente associado ao aumento das taxas de casamento infantil. À medida que as famílias perdem colheitas, rebanhos e renda ao longo de meses e anos, pais acabam casando suas filhas. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas A Plan International pressiona para que países dediquem uma parcela definida do financiamento para adaptação climática à saúde das meninas adolescentes. Esss investimentos devem incluir serviços de saúde sexual e reprodutiva, diz o órgão. O relatório aponta, ainda, que a continuidade da educação é uma das formas mais eficazes de proteção para as meninas. "Escolas oferecem aprendizado, redes de apoio e acesso a informações sobre direitos, saúde e serviços disponíveis", afirma o documento. O relatório foi divulgado um mês antes da abertura da conferência climática COP31, a cúpula das Nações Unidas sobre mudança climática, na Turquia.
Mudan�a clim�tica impulsiona casamentos infantis e gravidez na adolesc�ncia, diz ONG
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