São Paulo O Ministério Público de São Paulo se manifestou, nesta segunda-feira (20), em favor da recuperação extrajudicial da Ri Happy. No documento, o órgão pede a realização de perícia para verificar a documentação enviada pela empresa. Caso a juíza do caso não veja necessidade de nomear perito, o MP recomenda o deferimento do pedido de reestruturação. Além disso, a promotoria atestou o cumprimento, pela Ri Happy, do quórum de credores necessários para o pedido de recuperação e ratificou o pedido de proteção da companhia contra credores por 180 dias. Uma vez concedida a recuperação extrajudicial, a empresa de brinquedos terá 90 dias para obter a aprovação da maioria qualificada dos titulares de crédito (50% mais um). Maior rede de brinquedos do país, Ri Happy tenta renegociar R$ 827 milhões em dívidas - Divulgação Na petição inicial da recuperação, as sete empresas apresentadas como parte do grupo empresarial pediram o reconhecimento da chamada consolidação substancial —quando a análise do pedido trata o patrimônio e as dívidas do conglomerado em conjunto e os credores são agregados em uma única lista. O MP se posicionou contra a concessão imediata dessa unificação. "Conforme destacado pelo Superior Tribunal de Justiça, a validação de quórum global sem escrutínio individualizado pode acarretar desvios, como a imposição de sacrifícios a credores de sociedade solvente por créditos concentrados em outra coligada". Segundo o órgão, pesa contra a consolidação substancial a informação, dada pelas recuperandas, de que as empresas New Toys, a PBKids e a Ri Happy têm focos distintos de atuação (importação, primeira infância e varejo amplo). A existência de dívidas cruzadas também não é suficiente para justificar a unificação patrimonial das companhias. Por isso, o Ministério Público recomendou o reconhecimento inicial apenas da consolidação processual. Nesse caso, as empresas podem pedir a recuperação em conjunto, mas a apuração do quórum de um terço (e do futuro quórum de metade mais um) deve ser feita de forma individual. O MP não descarta, no entanto, a possibilidade de consolidação substancial após perícia. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesO PEDIDO DE RECUPERAÇÃO DA RI HAPPY Com quase 300 lojas no país, o grupo Ri Happy Brinquedos, dono de marcas como Ri Happy e PBKids, pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo neste domingo (18). A empresa tenta renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. Na petição, o grupo diz representar cerca de 68% do segmento de brinquedos no país. A empresa atribui a crise à conjuntura macroeconômica, efeitos da pandemia, mudanças nos hábitos de consumo, alta carga tributária e a intensificação da concorrência externa. A Ri Happy também afirma que a expansão das operações de plataformas como AliExpress e Shopee prejudicou o varejo de brinquedos no país. Segundo a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), importações de origem majoritariamente chinesa somaram 75,8% do total de brinquedos vendidos no Brasil em 2025. Entre os principais credores do grupo estão o fundo Carlyle, com quase R$ 100 milhões em créditos, bancos como Banco do Brasil (R$ 94 milhões) e Santander (R$ 58,5 milhões), além de fornecedores como Mattel (R$ 54 milhões), Hasbro (R$ 50 milhões) e Sunny Brinquedos (R$ 42 milhões). A empresa afirma ter 292 unidades no Brasil, sendo 204 lojas próprias e 88 sob o regime de franquia, com mais de 2.600 funcionários e 5.000 produtos em catálogo. RAIO-X | RI HAPPY Fundação: 1998 Sede: São Paulo Funcionários: 2.600 Unidades: 292 (204 próprias e 88 franquias) Receita anual: R$ 1,2 bilhão Concorrentes: Armarinhos Fernando, AliExpress, Shopee
MP opina a favor de recupera��o extrajudicial da Ri Happy, mas recomenda per�cia
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