Mostra de SP exibe filme de J.P. Cuenca sobre ass�dio judicial elogiado por Walter Salles

Mostra de SP exibe filme de J.P. Cuenca sobre ass�dio judicial elogiado por Walter Salles

Elogiado pelo cineasta Walter Salles, o filme "144 – Apocalipse Não", dirigido pelo escritor J.P. Cuenca, será exibido no dia 24 deste mês na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Antes, o longa fará a sua estreia no Festival do Rio na sexta (9). O longa surgiu de um problema real enfrentado por Cuenca. Ele foi alvo de 144 processos movidos por pastores de uma igreja evangélica após ter publicado em junho de 2020 em suas redes sociais que "o brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal". A mensagem parafraseava uma citação de Jean Meslier, autor do século 18, cuja versão original afirma que "o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre". As ações eram quase todas quase idênticas, protocoladas em Juizados Especiais Cíveis de diferentes cidades e estados do país, que somavam R$ 3,3 milhões em pedidos de indenizações. O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro processou a Igreja Universal por assédio judicial e pediu uma indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos. Na época, a igreja negou que estivesse coordenando a apresentação dos processos e defendeu a adoção de medidas individuais por seus líderes. No longa, Cuenca registra a sua tentativa de encontrar e dialogar com os autores das ações em algumas de suas cidades de origem. Nesse périplo, o escritor conhece comunidades ribeirinhas do rio São Francisco, frequenta rodeios, festas populares e templos evangélicos, além de visitar clubes de tiro nas fronteiras do agronegócio. Diretor de "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, Walter Salles viu "144 - Apocalipse Não" em uma sessão privada e disse que ele tem a "rara capacidade de escuta, que transcende a atual divisão binária da vida brasileira". "Procurando ouvir aqueles que não pensam como ele, J.P. Cuenca desvenda um Brasil a ser melhor compreendido", afirmou em nota à coluna. O filme é uma coprodução Brasil e Portugal, com participação da produtora portuguesa O Som e a Fúria. com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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