"O humor é mais destrutivo do que a crítica direta", dizia Francisco Alfredo Dias Camargo, de codinome Pancho, cartunista e jornalista que criou uma famosa série de tirinhas nos jornais do Paraná. "Rollmops e Catchup" nasceu em 1987 e, por décadas, retratou cenas do cotidiano em frases e desenhos. Um humor inspirado em observações que gostava de fazer das pessoas e lugares, fosse nas ruas e Redações, fosse em entrevistas ou bares, nos quais sentava para desenhar, fumar seu cigarro e beber uma cerveja —que precisava ser Antarctica. "Muito reservado, ficava mal-humorado com burocracia e gente chata que o incomodasse. O que retratava muito bem nas tirinhas. Mas, para os amigos, era muito divertido", conta o colega Eduardo Aguiar. Camargo começou como office-boy na Redação do jornal Última Hora, no Rio de Janeiro, tornando-se repórter, chefe de Redação e editor de primeira página em veículos paranaenses, como O Estado do Paraná, Tribuna do Paraná, Correio de Notícias, Gazeta do Povo e Jornal Plural. "Era aquele jornalistão à moda antiga, íntegro até o fio de cabelo, que não se dobrava a pressões do patronato. Era um excelente editor de primeira página, muito sagaz", diz o amigo. Os filhos recordam que ética, para Camargo, era obrigação de qualquer jornalista. Encarava o jornalismo como sacerdócio. Para ele, a função social da imprensa deve estar acima de tudo. "Combateu a ditadura, a estupidez, a ignorância, as desigualdades sociais e também duas das pragas modernas que mais o incomodavam: as fake news e o mau jornalismo", afirma o filho Fabiano Camargo. Nascido em Castro (PR), filho do militar Saladim Pereira de Camargo e de Julieta Dias. Teve seis irmãos e uma infância pobre. Casou-se duas vezes e teve quatro filhos. Nas horas vagas, gostava de pescar e levá-los para ver os jogos do Athlético-PR, de quem era torcedor. Lia e desenhava sempre, mesmo quando não estava a serviço. "Desenhava algo nos bilhetes que deixava para ele mesmo ou que enviava junto com alguma encomenda que nos presenteava", diz Fabiano. Guilherme Camargo lembra do pai ajudando nos trabalhos da escola, sempre com um toque artístico. Bem-humorado, mas introvertido, fazia piadas sem alarde, que desafiavam o conhecimento sobre história, fatos e moral. "Até as broncas vinham com uma história cheia de sentido", diz o filho. Simples e desapegado, Camargo deixou ensinamentos como honestidade, responsabilidade com a verdade, diálogo e conhecimento sobre a história do país. "Informar-se antes de emitir qualquer opinião", conclui Guilherme. "Foi uma referência para o jornalismo e formou uma geração de grandes profissionais", publicou o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. Pancho morreu de doença pulmonar aos 80 anos, em 18 de agosto. Deixa 4 filhos, 2 netas e 1 bisneto. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Usou humor, tirinhas e t�tulos para retratar a realidade
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.