Mortes: Uma vida dedicada ao samba e � fam�lia em Ribeir�o Preto

Mortes: Uma vida dedicada ao samba e � fam�lia em Ribeir�o Preto

O samba já era a sua vida. Mas, quando resolveu criar o Chega Pra Sambar, em 1992, talvez ele não soubesse que se tornaria também a vida de sua família. Composto hoje por 12 pessoas, o grupo de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) que se orgulha de ter o samba em seu repertório, bebeu da fonte de ícones do gênero, como Arlindo Cruz (1958-2025), Zeca Pagodinho e Reinaldo (1954-2019), além do Fundo de Quintal. Legado que Jaime Silva Junior, o Baré, fazia questão de passar para seus filhos, que hoje integram a banda, mas não só para eles. Músicos da cidade participaram da composição do grupo em sua trajetória e viam em Baré uma referência da noite ribeirão-pretana, como conta Adriana dos Santos, 57, casada com o sambista por 32 anos. Segundo ela, muitos dos músicos que atuam na cidade e na região viam a banda como uma escola. "Ele foi um cara muito respeitado, graças a Deus. Um cara que lutou a vida inteira para sustentar a família dele com a música e conseguiu, porque a gente vivia só de música. Ele lutou para mostrar para a cidade qual era a verdadeira forma de fazer samba, queria que todo mundo vivesse como profissão, que mostrasse para as pessoas que músico também é uma profissão", afirmou. Além dela, também estão envolvidos com o samba três dos cinco filhos do casal, dois deles como músicos (Igor, 31, e Fábio, 24) e um como técnico de som (Murilo, 27). De sorriso fácil e disposto a ajudar as pessoas no dia a dia, Baré descobriu há sete anos um problema renal que o obrigou posteriormente a fazer hemodiálise e que o retirou dos palcos recentemente. Depois de passar também por um procedimento cardíaco, nesta quinta-feira (14) ele levaria ao sistema de saúde exames e laudos para buscar se habilitar a entrar na fila de transplante renal. Não deu tempo. Na última sexta (8), morreu ao chegar em casa após uma nova sessão de hemodiálise numa clínica de Ribeirão. O corpo foi velado no dia seguinte, mesma data do enterro no Cemitério da Saudade. Além da viúva e dos filhos envolvidos com o grupo de samba, Baré deixa os filhos Laiel, 31, e Naiara, 29, e os netos Yuri, Maria Júlia e Manuela. Mas, como já disseram Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila e Sombrinha, "o show tem que continuar", e nesta sexta (15) o Chega Pra Sambar vai homenagear o cantor ribeirão-pretano numa roda de samba com entrada gratuita no Armazém Baixada, único espaço do qual Baré fazia questão de participar, apesar das recentes dificuldades de saúde. "Vamos continuar o legado dele", disse a viúva. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missa

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