Mortes: Transformou o sonho de ser astronauta em pesquisas sobre a vida no espa�o

Mortes: Transformou o sonho de ser astronauta em pesquisas sobre a vida no espa�o

Egressa do curso de medicina na Ufpel (Universidade Federal de Pelotas), onde iniciou os estudos aos 16 anos, Thais Russomano dedicou a vida a unir a formação com a paixão pelo espaço, presente desde a infância quando visitou um planetário no Rio de Janeiro. Nascida em Porto Alegre, em setembro de 1963, cresceu em Pelotas (RS), onde criou o Clube das Crianças Astronômicas. Como médica, trabalhou em UTIs, ambulâncias e plantões hospitalares, mas manteve o projeto de estudar o espaço. Depois da residência, seguiu para o mestrado em medicina aeroespacial na Universidade Wright State, nos Estados Unidos. Concluiu o doutorado em fisiologia espacial no King's College, em Londres. "Sua trajetória representa motivo de imenso orgulho, demonstrando como a formação em uma universidade pública pode constituir o ponto de partida para uma carreira de excelência", afirmou em nota a Faculdade de Medicina da Ufpel. A AEB (Agência Espacial Brasileira) também emitiu nota de pesar. "Acumulou mais de 30 anos de experiência em pesquisas que beneficiam diretamente a saúde humana em ambientes de microgravidade", diz trecho do comunicado. "Ela acreditava profundamente na importância de compartilhar conhecimento, estimular a curiosidade e criar oportunidades para outras pessoas", disse em nota a InnovaSpace, organização internacional fundada por Thais, sediada no Reino Unido, que atua com pesquisa, ensino e divulgação científica sobre medicina espacial e exploração humana do espaço. Ao longo de sua carreira, Thais ajudou a desenvolver a técnica Evetts-Russomano de reanimação cardiopulmonar em microgravidade. O método leva seu sobrenome e o de seu parceiro na pesquisa, Simon Evetts. Era uma contribuição para o atendimento de emergências em um ambiente que impõe desafios à medicina. Sua trajetória passou por instituições de diferentes países. Participou da criação do Centro de Estudos de Medicina Aeroespacial da Universidade de Lisboa. Ela também participou da criação do Centro de Microgravidade (MicroG) da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), a primeira iniciativa do gênero na América Latina. Acumulou mais de três décadas de estudos sobre os efeitos do ambiente espacial na saúde humana. Também atuou no King's College e foi cientista convidada da Agência Espacial Alemã. Na pesquisa e no ensino, manteve os vínculos com o Brasil ao longo de sua longa trajetória. Thais morreu em 17 de outubro, aos 63 anos, em Porto Alegre, após viver na Inglaterra e nos Estados Unidos. Estava internada no Hospital Moinhos de Vento e tratava um câncer de mama diagnosticado em 2016. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas

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