Paulo Vitor Dias era apaixonado por churrasco: acendia a churrasqueira, cuidava para que a brasa estivesse no ponto certo e selecionava as carnes com minúcia. O que era um prazer de final de semana, compartilhado com a família, acabou se tornando o sustento de todos. Por mais de três décadas, comandou a Casa dos Assados ao lado da mulher, das duas filhas e, mais tarde, das netas. No começo dos anos 1990, o negócio começou pequeno em Guararema, na Grande São Paulo, sem atendimento para os clientes. Os pratos eram vendidos apenas para retirada. O sabor da comida e o carisma do proprietário, porém, logo atraíram fregueses que não se contentavam em esperar pelo pedido. Paulo colocou três mesinhas do lado de fora, onde os clientes comiam petiscos e conversavam com ele enquanto aguardavam. "Ele era muito bom de papo, sempre agradável, brincalhão. Os clientes iam pela comida, mas também porque gostavam do ambiente que ele criava, por isso, as três mesinhas ficavam sempre cheias, mesmo só servindo petiscos", lembra Juliana Paula Dias, 45, filha mais velha de Paulo. A clientela cresceu ainda mais em 1997, depois que Paulo participou de um programa da apresentadora Ana Maria Braga, no qual ensinou a assar carnes na brasa. "Depois disso, o restaurante bombou. Clientes novos começaram a aparecer e os que já conheciam passaram a ir mais vezes", diz Juliana. No fim de 1999, Paulo transferiu a Casa dos Assados para a vizinha Mogi das Cruzes. "Com um espaço maior e podendo receber mais clientes, o restaurante virou um sucesso e é um dos mais tradicionais da cidade", diz Juliana. Um dos pratos mais pedidos era também o favorito do chef e o que levava seu nome, o contra à moda Paulo Vitor. A carne com corte em formato de borboleta, como ele gostava de descrever, é coberta por alho frito e parmesão tostado na chapa. Juliana lembra que o pai era extremamente cuidadoso e metódico em todo o processo de preparação dos pratos, desde a lista de compras até o corte dos legumes e carnes. Isabel, com quem foi casado por 41 anos, era seu braço direito, tanto na cozinha quanto no atendimento. As filhas também passaram a trabalhar no restaurante. As netas, ainda pequenas, cresceram brincando entre as mesas e os clientes. "Ele tinha um amor tão grande pelo que fazia que naturalmente envolveu toda a família. Nós crescemos e fomos criadas entendendo que esse era o legado dele, o legado que devemos dar continuidade", afirma Juliana. Conhecido em Mogi como o Santista, Paulo era torcedor apaixonado pelo Santos. O bom humor e a disposição para conversar, lembrados pelos clientes, também faziam parte de sua vida fora da cozinha. Paulo Vitor morreu em 16 de outubro, aos 74 anos, após passar 153 dias internado em uma UTI. Paciente bariátrico, teve complicações intestinais que exigiram hospitalização. Morreu após uma parada cardiorrespiratória. Deixa a mulher, Isabel, as filhas Juliana e Larissa e as netas Gabriela, Ana Martha e Maria Laura. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Transformou a paix�o pelo churrasco no sustento da fam�lia
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