Em casa, não se pedia um pedaço de pizza. Pedia-se "um pedaço de delta", na brincadeira criada pelo físico João Alziro Herz da Jornada com os filhos, já que o símbolo triangular do delta (Δ) parece uma fatia de pizza. Para João, até o jantar podia virar uma oportunidade de experimentar, explicar e despertar a curiosidade. Natural de São Borja (RS), João mudou-se para Porto Alegre aos 9 anos. Seus pais buscavam melhores oportunidades de estudo. Na escola, aprendeu, entre outras habilidades, como marcenaria. Mais tarde, no sítio da família, construiu móveis como mesa e beliches. Formou-se em física pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) em três anos, um a menos que o habitual, com láurea acadêmica. Foi na universidade que conheceu Eda Homrich, também física, com quem se casou. Os dois fizeram mestrado e doutorado, e moraram nos Estados Unidos de 1982 a 1984. A ligação da família com a ciência vinha também de outra geração. O avô materno de João, Hermann Herz, judeu alemão que veio para o Brasil antes da Segunda Guerra Mundial, escreveu uma carta a Albert Einstein, preocupado com a situação dos judeus na Alemanha. O físico alemão respondeu agradecendo a mensagem e simpatizando com as preocupações. João herdou a carta por ter escolhido a mesma profissão do par famoso. Professor da UFRGS por cerca de 30 anos, João fundou o Laboratório de Altas Pressões da universidade e foi um dos pioneiros no Brasil na pesquisa para a síntese de diamantes sintéticos, usados pela indústria no corte de vidro e na perfuração de poços de petróleo. Mesmo depois de aposentado, continuava frequentando o laboratório, fazendo experimentos e consertando equipamentos que outros não conseguiam reparar. Também criou a Rede Metrológica do Rio Grande do Sul e, depois, ingressou no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), onde dirigiu a área de Metrologia Científica e Industrial e presidiu o instituto por 11 anos, promovendo mudanças administrativas e na contratação de doutores. Membro da Academia Brasileira de Ciências, recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico, no grau de Grã-Cruz, além de outras distinções. Ao se aposentar, foi nomeado professor emérito da UFRGS. Em família, era descrito como um pai presente, divertido e sempre bem-humorado. Gostava de música erudita, especialmente Wagner e Bach, de filosofia e de levar os filhos a museus. Contava histórias sobre locomotivas, aviões, máquinas, arte e tecnologia. "Ele era da área de física experimental, então, gostava muito de explicar, de experimentar. Era uma pessoa muito curiosa", afirma o filho João Francisco Homrich da Jornada, 48, engenheiro de software. João morreu em 2 de agosto, aos 77 anos, em decorrência de câncer de pâncreas. Deixou a mulher, Eda, 4 filhos e 8 netos. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Tinha a curiosidade como m�todo e a ci�ncia como norte e legado
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.