Márlio Raposo Dantas passou a colocar o próprio nome em destaque nas placas de obra quando abriu a DRM Construções, em 1978. Dizia que a decisão era uma forma de valorizar a profissão dos arquitetos. Executou cerca de 150 projetos de prédios e casas ao longo da carreira, a grande maioria em Santos, no litoral paulista. Na cidade, espalhou marcas pela paisagem, que se tornaram pontos de referência, memória afetiva e alvo de polêmica —como Nilo Branco, o "prédio amarelo" em frente ao Museu do Café. Dessa profusão de obras e placas, a família do arquiteto diz ter conhecido ao menos duas pessoas jovens cujo nome foi inspirado no dele —junção de Maria das Dores e Júlio (seus pais). O último Censo aponta 327 Márlios no Brasil, 19 no estado de São Paulo. O arquiteto gostava especialmente do Lex Urbis, prédio de escritórios no centro de Santos, caracterizado pelos quebra-sóis verdes e azuis. O edifício também foi um dos primeiros com elevador panorâmico na região, localizado atrás da catedral. Márlio era comumente descrito como um profissional disciplinado, técnico, criativo e um tanto rígido. Como professor na Unisanta (Universidade Santa Cecília), de 1997 a 2012, era conhecido como um contador de histórias e cobrava mais "molho" nos projetos apresentados pelos alunos. Segundo a filha arquiteta, Flávia Neves Dantas, era caseiro, cultivava plantas e árvores frutíferas no quintal —com apreço especial por pitayas e lichias— e, não raro, gostava de cantar bossa nova para os entes queridos. O arquiteto saía pouco, a alguns eventos sociais ou exposições de arte. Fazia questão, contudo, de levar toda a família para a Bienal de Arte de São Paulo, edição a edição. Nascido em Olinda (PE), Márlio começou a formação como arquiteto no Recife, concluindo-a no Rio de Janeiro, onde trabalhou com importantes colegas de profissão, como Burle Marx —com quem colaborou em projetos conhecidos, como o do aterro do Flamengo. Mudou-se para Santos em 1962, por sugestão do padrasto. Seus principais projetos incluem o Universo Palace (conhecido pela boate Pink Panther) e o Vila Rica Center, entre outros. Em 2009, mudou-se para a Casa da Pitaya, residência por ele projetada nos anos 1980, em Cunha, no interior paulista. Morreu aos 90 anos, de parada cardiorrespiratória, em 11 de agosto. Deixou mulher, 4 filhos, 9 netos e 1 bisneta. Ele foi homenageado por diversas instituições e admiradores. Organização internacional de preservação do patrimônio moderno, o Docomomo chamou Márlio de nome essencial da arquitetura moderna do litoral paulista. "Imprimiu, na paisagem urbana da cidade, uma linguagem própria", resumiu. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Seus pr�dios s�o marcos da paisagem de Santos
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