De Carapebus, no interior do Rio de Janeiro, às grandes arenas e palcos do rock nacional. A trajetória de Domingos Manoel Olímpio, o Mingo, como era carinhosamente chamado por amigos e familiares, sempre foi acompanhada pelo ritmo das viagens e pelos bastidores da música brasileira. Nascido em 10 de abril de 1966, Domingos teve uma infância marcada pela presença da avó materna. Enquanto a mãe trabalhava como diarista para sustentar a família, o menino costumava ir até a beira da estrada de ferro esperar o trem passar, alimentando a ilusão singela de ver a mãe desembarcar voltando do serviço. A entrada para o universo musical aconteceu na juventude. O músico Frejat contou à Folha que todos do Barão Vermelho conheceram Domingos em 1987, durante os ensaios da Midnight Blues Band. No ano seguinte, com a volta da banda à estrada, o baterista Guto Goffi o chamou para ser seu roadie, profissional que atua em diferentes atividades nos bastidores dos shows. Teve início ali uma parceria profissional e de vida. Domingos desempenhou diversas funções na banda —de ajudante na cozinha e carregador a assistente de palco. Frejat lembrou que, no início dos anos 2000, na primeira pausa do Barão, Domingos passou a trabalhar em sua equipe solo, alternando entre os dois projetos conforme o retorno do grupo. Tinham uma convivência intensa de mais de três décadas. "Ele era um profissional de primeira e uma pessoa muito querida, eu diria adorada. Tinha uma maneira de lidar com as pessoas completamente cativante", disse Frejat. A proximidade se transformou em acolhimento nos momentos difíceis. "Durante a pandemia nos aproximamos ainda mais. Fiquei com medo de ele ficar circulando para lá e para cá e o chamei para morar na casa onde tenho o meu estúdio", contou Frejat. "Ele esteve muito presente, a gente se via nos shows e no dia a dia." Embora tenha realizado trabalhos pontuais ao longo da carreira para artistas como Marisa Monte e George Israel, seu porto seguro e sua casa eram mesmo o Barão Vermelho. Apesar do cotidiano no rock, seu gosto pessoal pendia para o soul, o blues e o rock clássico. Em casa, costumava escutar Elton John, James Brown, Ray Charles, Joe Cocker, Jimi Hendrix e B.B. King. Fora dos palcos, sua grande paixão era o Botafogo, acompanhando qualquer partida na televisão e eventualmente levando os filhos ao estádio Nilton Santos, o Engenhão. De humor leve, encarava os percalços com piadas. "Ele era brincalhão, até nas histórias difíceis arrumava um jeito de fazer alguma piada", afirma a mulher, Amanda Francisco Silveira, 38, com quem viveu por mais de 18 anos. Com o avanço de um câncer de próstata, Domingos preparou o filho Fernando para assumir seu lugar na equipe de Frejat. Ele morreu no dia 1º de setembro, aos 60 anos, após complicações da doença. Deixa a mãe, Mariza; a mulher, Amanda; sete filhos (Alex, Fernando, Juliana, Ana Júlia, Ana Beatriz, Patrick e Pablo); a neta, Maria Luiza; e a família do Barão Vermelho. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Roadie dedicou tr�s d�cadas ao Bar�o Vermelho e vibrou pelo Botafogo
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