A ideia parecia simples, mas mudaria para sempre a história do ensino de música no Brasil: criar a primeira escola do país especializada no ensino de guitarra. Foi com essa visão que o publicitário Célio Ramos e o virtuoso guitarrista Wander Taffo fundaram, em 1997, o IG&T (Instituto de Guitarra e Tecnologia), o embrião que mais tarde se expandiria para a EM&T (Escola de Música e Tecnologia). Taffo, renomado guitarrista (Rádio Táxi, Made in Brazil, Rita Lee e Secos & Molhados), entrou com a bagagem de anos de estrada para somar forças ao plano de Célio e da executiva Monica Lima, estruturando a maior escola de guitarra da América Latina. A escola virou celeiro de talentos, chegando a somar 2.000 alunos no auge. Entre eles, os guitarristas Kiko Loureiro (Angra e Megadeth), Rafael Bittencourt (Angra) e Edu Ardanuy (Dr. Sin). Entre os professores, estavam nomes como Mozart Mello e Faiska. Músicos internacionais passaram pelo instituto para ministrar aulas e interagir com os alunos, como Steve Vai (Frank Zappa e Whitesnake), Paul Gilbert (Mr. Big e Racer X), Yngwie Malmsteen (pioneiro do metal neoclássico) e John Petrucci (Dream Theater). "Célio gostava de inventar e de criar coisas fora da curva. Ele respirava música e inovação todos os dias da vida dele", afirma a musicista Kika Muller, 57, sua filha. Nascido em Ribeirão Preto (SP) e caçula de nove irmãos alfaiates, Célio se mudou para São Paulo ainda bebê. Parentes queriam que ele assumisse o negócio da família, mas ele tinha outros planos. Atuou no mercado publicitário a partir dos anos 1960 e recebeu o prêmio de "Homem de Marketing do Ano" em 1976 de uma prestigiada associação. Tornou-se conhecido por campanhas comerciais de repercussão. "Não compre carro hoje, espere para comprar amanhã", era um de seus bordões mais conhecidos, segundo Kika. No início dos anos 1990, Célio inaugurou o Brittania Café Concerto, na avenida Jabaquara, zona sul da capital, espaço com capacidade para 1.500 pessoas que rapidamente se tornou um marco na noitada paulistana. Entre as apostas para se apresentar na casa estava o cantor Tim Maia. "Eu lembro que, quando o Célio contou que ia tocar o Tim Maia, eu falei: 'Putz, pai, você é louco', porque ele já tinha fama de que não ia [aos shows]. Tim Maia foi e elogiou o som da casa", diz Kika. Para Fátima Taffo, viúva de Wander Taffo, a presença de Célio representou um divisor de águas. "A parceria marcou profundamente a trajetória de Wander, e o Célio era uma pessoa admirável, estrategista e repleto de ideias para impulsionar o cenário cultural." Célio Ramos morreu em 10 de setembro, aos 78 anos, em decorrência de parada cardíaca e falha respiratória associadas a um enfisema pulmonar. Ele deixa os irmãos, os filhos Kika, Kiko, Sérgio e Alice, e quatro netos. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Revolucionou o jeito de ensinar guitarra no Brasil e virou refer�ncia
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