Mortes: Por quase 60 anos comandou o mercado 'que nunca fecha' em Franca

Mortes: Por quase 60 anos comandou o mercado 'que nunca fecha' em Franca

Filho de imigrantes espanhóis que vieram para o Brasil atraídos pelos subsídios para trabalhar nas lavouras de café, Aparecido Maldonado Ponce desde cedo precisou entrar na labuta com a família. Carregou a dedicação ao trabalho durante toda a vida e ficou conhecido por comandar o supermercado que "nunca fecha" em Franca, no interior de São Paulo. Aparecido é o segundo dos seis filhos do casal que morava na Fazenda Belo Horizonte, na zona rural de Restinga. Ele viveu por lá e trabalhou com os pais na colheita de café até os 14 anos, quando a família decidiu deixar a roça para tentar a vida em Franca. "Foi nessa mudança que ele encontrou a profissão que iria seguir a vida toda. Ao chegar, ele conseguiu um emprego no mercadão da cidade. Era um ajudante dos comerciantes", conta Daniel Costa Maldonado, 56, filho de Aparecido. Aos 18 anos, pegou dinheiro emprestado com um tio para montar a própria mercearia. "Dizia que era uma feirinha, tão pequeno era o lugar", lembra o filho. A falta de espaço não apenas não foi um problema, como ainda o ajudou a atrair e cativar clientes. Colocava verduras e frutas do lado de fora do comércio, o que atraía quem passava. "Ele era bom de papo, atencioso com todo mundo. De vez em quando, oferecia uma fruta para quem passava e foi criando uma clientela fiel", lembra Daniel. Foi também ali no pequeno mercadinho que conheceu Maria Norma, sua parceira de vida. Logo se casaram e a mulher, com um espírito empreendedor, convenceu o marido a vender a casa onde moravam para comprar um local onde poderiam abrir um supermercado. "Antes de se casarem, minha mãe trabalhava como contadora em um shopping no centro da cidade. Então, ela tinha essa visão empreendedora, entendeu que poderiam expandir o patrimônio da família. Ela encorajou meu pai." A aposta de Maria Norma foi tão bem-sucedida que o supermercado São Paulo, aberto em 1967, em pouco tempo se tornou uma referência em Franca. Em uma época em que grandes redes ainda não haviam chegado ao interior, o comércio de Aparecido se destacava por funcionar todos os dias até as 23h. "Ele gostava muito de trabalhar, mas também gostava muito de atender o público. Fazia questão de abrir o mercado de segunda a segunda, inclusive aos domingos, para não deixar os clientes na mão." Aos domingos, único dia em que encerrava o expediente mais cedo, costumava reunir os funcionários do mercado em um sítio para fazer churrasco e confraternizar com eles. O compromisso com o trabalho foi passado para os três filhos Aparecido Júnior, Daniel e Alexandre, que ajudaram o pai a levar adiante o legado construído. Depois de ser diagnosticado com um câncer, Aparecido morreu aos 88 anos no dia 7 de março. Deixa a mulher, Maria Norma, os três filhos, oito netos e três bisnetos. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missa

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