Alberto José Macedo Filho sentiria uma estranheza se chegasse a um escritório de trabalho despido da gravata e do paletó. Foi assim até o fim da vida. Em dias de pouca atividade e naqueles com agenda cheia de reuniões, não importava, lá estavam o terno e a gravata. A formalidade condizia com a São Paulo que ele conheceu quando era jovem em meados do século 20. Paulistano, Alberto era o mais velho dos dois filhos de um corretor de imóveis e de uma dona de casa que moravam no bairro da Aclimação, no centro-sul da cidade. Na juventude, aborrecia-se com a obrigação de levar sempre a tiracolo o irmão Alfredo, uma lembrança que visitaria com carinho décadas mais tarde. Aos filhos e netos, contava histórias de uma vida em que os excessos da juventude eram mais singelos. O terno e a gravata da época serviam de passaporte para bailes em que ele e os amigos entravam sem convite, como penetras. A vida mudou quando conheceu Rosa Maria. Apaixonaram-se no litoral paulista —as famílias ficavam sempre no mesmo prédio. Casaram-se, mudaram-se para a zona norte de São Paulo e tiveram três filhos —Alessandra, Elisa e Alberto. Um dos primeiros empregos de Macedo foi como funcionário do Ipesp (Instituto de Previdência do Estado de São Paulo). Passou a se interessar por direito previdenciário por uma influência de um tio, Jairo, que morava em Itapetininga. Foi aprovado na Faculdade de Direito de Itu, a 75 km da capital. Advogou de forma particular por quatro anos até entrar na carreira de procurador do estado, quando voltou a trabalhar no Ipesp —onde chegou a chefe de gabinete da presidência. Seria sua porta de entrada para os gabinetes do Legislativo e do Executivo, já que o instituto cuidava da carteira de aposentadoria dos deputados estaduais. Em 1991, passou à chefia do gabinete da Secretaria de Esportes e Turismo do estado, na gestão de Valdemar Corauci Sobrinho, e depois chefiou os gabinetes de liderança do PFL na Assembleia Legislativa paulista, da liderança do governo e do deputado Duarte Nogueira em diferentes ocasiões. Assumiu a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado em 2006, após trabalhar como adjunto de Duarte Nogueira na mesma pasta no primeiro mandato de Geraldo Alckmin (à época no PSDB) como governador. Uma década mais tarde foi secretário de Logística e Transportes, também sob Alckmin. De perfil conciliador, dizia às pessoas mais próximas que a complexidade dos desafios do poder público sempre era subestimada por quem estava fora da máquina —como era o caso das desapropriações para a construção do Rodoanel, que ele ajudou a coordenar. Era fanático pelo São Paulo Futebol Clube. Gostava de ir ao estádio com filhos e netos e de fazer viagens com a família inteira, em grandes grupos. Mas todos brincavam que seu passatempo predileto, na verdade, era o trabalho. Ele morreu em 5 de setembro, aos 82 anos, por complicações de um câncer. Deixa a mulher, os três filhos e os netos Ana Elisa, João Felipe, Ricardo e Marcelo. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Pol�tico discreto, tinha a fam�lia como fortaleza
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