Glaura Vasques de Miranda cresceu num ambiente altamente valorizador da educação. Sabia que precisava se educar para poder ser independente e garantir uma vida digna. Nascida em 1932 em São João Del Rey, Minas Gerais, aos seis anos de idade ela perdeu o pai, João Baptista Vasques de Miranda Jr., professor de matemática e poeta. Sua mãe, Maria Antonieta Mello Silva Vasques, era professora em escola pública e pianista, tendo inspirado a criação do cargo de professora de música, e a primeira pessoa a ocupá-lo. Glaura estudou em escola pública e ese formou em letras e administração pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Foi a primeira mulher no estado a ocupar o cargo de secretária de Administração, fruto de seu destaque na reforma administrativa de 1959, no governo Magalhães Pinto. Sempre foi profundamente humana, dedicada e competente. Assim ganhou bolsa de estudos do British Council e foi fazer especialização em administração pública na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Mais tarde, seria novamente agraciada com uma bolsa na Universidade Stanford (EUA), onde fez seu doutorado. Dedicou-se sobretudo à educação pública. Foi professora da UFMG e chegou a ser a diretora da Faculdade de Educação e pró-reitora de Pesquisa da universidade. Dizia que um de seus maiores orgulhos foi ter se tornado professora emérita. Atuou como relatora do Parecer 500/1998 do Conselho Estadual de Minas Gerais, documento que redefiniu a organização dos sistemas municipais de ensino. Em 1993, foi secretária municipal de Belo Horizonte na gestão Patrus Ananias (PT). Foi uma das mentoras de melhorias educacionais sempre voltadas a manter os alunos nas escolas. Também foi coordenadora do Projeto Veredas, que permitiu a 13,8 mil professores se formarem na univeridade. Publicou inclusive um livro sobre a experiência. Glaura era inspiradora, humana, inclusiva, um exemplo a seguir. Rodou o mundo dando palestras em congressos e seminários sobre educação. Orientou teses de alunos doutorandos da USP e de várias universidades do país. Foi condecorada com a Medalha da Inconfidência em 1965, a medalha Santos Dumont em 2005 e Medalha do Mérito Educacional do Governo de Minas Gerais em 2006. Foi convidada a ser vice-presidente de Conferência da Unesco sobre educação, em Osaka, no Japão. Recebeu inúmeras outras homenagens e reconhecimentos. Foi casada com Malori José Pompermayer, professor de ciências políticas da UFMG e também doutor por Stanford. Deixa a filha Camila. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Pioneira na educa��o p�blica, inspirou e iluminou vidas
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