Francisco Gonçalves de Oliveira acompanhou de perto a trajetória do filho Bruno Oliveira, 42, figurinista que começou em São Paulo e chegou ao Carnaval do Rio de Janeiro. Ajudou a escolher tecidos, comprar materiais, levar peças às costureiras e decorar carros alegóricos. Também atravessou madrugadas nos barracões e, por duas décadas, produziu as bolsas douradas que se tornaram marca do ateliê do filho. "Ele abraçou o meu sonho e fez disso o sonho dele também", diz Bruno. Nascido em São Paulo, em 1949, Francisco era filho de uma família com origem em Minas Gerais. Teve vários empregos e trabalhou com confecção de roupas e serigrafia, produzindo camisetas. A aproximação com o samba aconteceu por meio do filho. A família morava na zona norte, perto da quadra da Acadêmicos do Tucuruvi. Em 1993, Bruno, então com 9 anos, pediu ao pai que o levasse à escola. No ano seguinte, ao perceber o envolvimento do menino, Francisco passou a dirigir a ala das crianças. Bruno se tornou mestre-sala mirim. Em 1995, os dois foram para a X-9 Paulistana. Francisco continuou responsável pela ala infantil e passou a produzir as camisetas oficiais da escola, usadas nos desfiles e vendidas ao público. Aos 14 anos, Bruno apresentou um projeto para ser carnavalesco da Unidos de Guaianases. O pai o acompanhou e ajudou a realizar o trabalho. As primeiras fantasias foram feitas em casa, com o auxílio de costureiras que ele conhecia da época da confecção. Mais tarde, Francisco continuou presente nos bastidores. Em 2005, Bruno se mudou para o Rio para trabalhar na Grande Rio. No ano seguinte, de volta a São Paulo, Bruno abriu o próprio ateliê, e Francisco ajudou a pintar e organizar o espaço, além de criar as bolsas douradas usadas para embalar os figurinos. Cortava, estampava e produzia as embalagens, personalizadas conforme as medidas das fantasias. O acessório era tão desejado que alguns foliões queriam ver primeiro a bolsa, um sonho de consumo, e só depois o figurino. Aposentado por problemas de saúde, Francisco era muito ligado à família. Cuidava da mulher, Regina, em detalhes do dia a dia, como quando passava creme em seus pés após o banho. Ele deixava todas as noites, na mesa da cozinha, um recado em um guardanapo, com uma mensagem de carinho para ela e os filhos. Simples e vaidoso, ele gostava de andar perfumado e bem vestido. Acolheu Flávio, marido de Bruno, como um filho e o integrou à família com afeto. Muitas pessoas também o consideravam uma figura paterna. Respeitava as escolhas religiosas dos filhos: Bruno é do candomblé e Tatiane, da umbanda, embora Francisco tivesse se tornado evangélico. Ele morreu em 17 de agosto, aos 77 anos, por complicações cardíacas, no dia em que completaria 52 anos de casamento. Deixa a mulher, dois filhos e o genro Flávio. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Pai presente, abra�ou sonho do filho e trabalhou nos bastidores do Carnaval
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