Mortes: M�gico e ventr�loquo encantou pessoas de todas as idades

Mortes: M�gico e ventr�loquo encantou pessoas de todas as idades

Quando o menino Huguinho viu aquela caixa de mágica, toda sua, ele nunca mais parou de sonhar. O presente da madrinha o fez ter certeza de que poderia realizar a mágica de encantar pessoas de todas as idades, especialmente as crianças. Hugo Moraes e Silva Neto foi ainda além da mágica. Construiu sua trajetória profissional na arte. Atuou no ilusionismo e também em teatro, circo, cinema, palhaçaria, artes plásticas e criação de bonecos. Sua carreira teve início aos 16 anos, quando foi escolhido para interpretar Peter Pan, e a peça rendeu mais de cem apresentações. Participou de festivais de mágica, chegando a representar o Brasil no Festival Latino-Americano. Foi um dos fundadores da Associação de Mágicos do Paraná (Magipar), em 1996, e do Festival Magipar, que teve 21 edições. Criou a Mágica & Cia e a MHM Produções Artísticas, com passagens pelo Circo da Cidade e pela Rede Sol, na Fundação Cultural de Curitiba (FCC). "Era professor, consultor, ator e empresário, participou de 65 festivais de mágicas no Brasil e exterior. Em 40 anos de trajetória, Hugo ganhou muitos prêmios. Começou a fazer mágicas aos 7 anos", publicou a FCC, destacando sua participação no filme "Uma Família Feliz", ao lado de Grazi Massafera e Reynaldo Gianecchini. A Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB-Centro Unima Brasil) traduziu Hugo como um artista dedicado a dar vida aos bonecos, como Fuxico, seu personagem mais famoso. "Foi um dos grandes incentivadores da ventriloquia brasileira, idealizador e entusiasta do Festival de Ventriloquia (Ventfest), contribuindo para o encontro entre artistas, a valorização e a difusão dessa arte", escreveu a entidade, para a qual o mágico "deixa um legado de criatividade, generosidade e dedicação ao teatro de animação". Ele recebeu em 2014 o Troféu Julio Lipan por seu trabalho com crianças. Apresentava-se desde 2023 no Parque Terra Mágica Florybal, em Canela (RS), onde fazia shows diários. "Foi uma das figuras expressivas da ventriloquia e da mágica voltada ao público infantil no Brasil. Seu trabalho deixou marcas, especialmente no teatro de animação, área à qual dedicou talento, conhecimento e uma enorme generosidade", lembra a prima, Angélica Alves. Nascido em Curitiba, numa família de ascendência espanhola, teve dois irmãos e uma infância regada a muitas alegrias. "Tirava um sorriso de todos, mesmo em dias difíceis. Fazia mágica sempre nas reuniões de família, era brincalhão e muito solícito", recorda Angélica, pontuando seus olhos amorosos e suas piadas engraçadas. Leonardo Moraes fala da paixão do pai pela mágica, pelas crianças e pela alegria. Era um grande incentivador da profissão, recebendo muitos mágicos em sua casa. "Quando não tinham condições de comprar, ele dava, emprestava, produzia mágica. Sempre fortalecendo o meio artístico. Uma pessoa única, com coração gigante", conclui o filho. Hugo morreu de uma parada cardíaca em 22 de setembro, aos 54 anos. Deixa a mulher, dois filhos e um neto. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas

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