Antonio Mello Martini era conciliador, feliz, apaixonado pela vida e pelas pessoas. Nasceu em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, em uma família influente, e teve apenas um irmão, já falecido. Seu avô materno foi prefeito e vice-prefeito da cidade. Seu pai foi vereador no mesmo município. A mãe era professora e diretora de escola. "Ele era sempre alegre, positivo. Nada era problema. Sempre otimista, idealista", diz a esposa, a socióloga Silvia Modena Martini. Ainda criança, tinha aulas de francês e piano com a avó materna. Mas sempre dava um jeito de fugir dessas atividades para nadar no rio, às escondidas. Formou-se em direito, foi vice-presidente e quatro vezes presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) subseção Mogi-Guaçu, além de conselheiro estadual. "Ele trabalhava junto aos presos. Sempre que tinha superlotação, comida, pobreza menstrual ou outros problemas, chamavam ele, o padre e a Comissão de Direito Humanos. Ele ouvia as reivindicações e tentava administrar", conta Silvia. Antonio era muito atuante como advogado, diz Silvia. "Quando tentaram implantar uma termelétrica em Mogi Guaçu, por exemplo, ele estava como presidente, e liderou o movimento para não implantar porque usariam a água no rio Mogi Guaçu", lembra. Ele mesmo também participou da vida política. Foi vereador na primeira legislatura de Estiva Gerbi, entre 1993 e 1996, e participou da elaboração da Lei Orgânica do município como relator. Mesmo sem remuneração, Antônio amava trabalhar pela OAB e era incansável na defesa das prerrogativas da classe. "Um amigo nosso dizia: 'Ele é o único de centro-esquerda em quem até os bolsonaristas votam' porque ele era muito conciliador, uma pessoa pacificadora, que procurava a união", diz a esposa. O encontro do futuro casal foi cena de novela. "Nós nos conhecemos em 1984, vindo no ônibus, saindo de Mogi Guaçu para Campinas. Nós nos sentamos lado a lado e fomos conversando. Quando cheguei à minha república, eu falei 'meninas, hoje eu conheci o meu futuro marido'. Foi a primeira vez que o vi e foi amor à primeira vista, foi alma gêmea", relembra. Os dois começaram a namorar e o assunto casamento era motivo de piada entre os dois. "Nós brigávamos muito durante o namoro. Ele falava que não ia se casar. Eu falava 'vai sim, vai casar e eu vou rir no dia que você me pedir em casamento'", diverte-se. Os dois ficaram 41 anos juntos, sendo 36 casados. A história de uma vida toda de amor e companheirismo foi interrompida em 4 de julho, quando Antonio passou por duas cirurgias de transplante de fígado em 48 horas, em Sorocaba. O corpo não respondeu e ele morreu aos 66 anos. O velório ocorreu no plenário da Câmara Municipal de Mogi Guaçu e o sepultamento aconteceu no Cemitério Praça da Bíblia em sua cidade natal. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Marcou Mogi Gua�u com concilia��o e atua��o p�blica
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