O advogado Rogério Cruz Themudo Lessa foi um dos precursores das operações de fusões e aquisições (M&A) no Brasil, estruturando transações pioneiras ainda nas décadas de 1970 e 1980, período em que assessorou a entrada de multinacionais, bancos e grupos econômicos no país. Essas operações ganhariam escala nos anos 1990, com o início das privatizações no governo de Fernando Collor, com a criação do Programa Nacional de Desestatização. A entrada de empresas estrangeiras no mercado brasileiro exigiu que o sistema jurídico nacional se reestruturasse, momento em que Themudo Lessa ganhou destaque. Nascido em São Paulo no dia 20 de maio de 1947, Rogério pertenceu à geração que criou a advocacia empresarial brasileira. Formado pela Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), concluiu o mestrado pela NYU (Universidade de Nova York) em 1970, numa época em que a formação internacional era exceção entre advogados brasileiros, e em que o próprio conceito de escritório empresarial ainda estava sendo construído no país. Em 1968, foi contratado como estagiário do escritório Demarest & Almeida Advogados, do qual se tornou sócio em 1975 e CEO de 2004 até deixar o escritório, em 2009, na posição de presidente do conselho de administração. Participou também, ao lado de Orlando Giacomo, da fundação do Cesa (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados), constituído em 1983, entidade que até hoje representa as sociedades de advogados no país. Ao se aposentar do Demarest, fundou, em 2009, o Themudo Lessa Advogados e, ao lado do filho, Marcos Themudo Lessa, fez do escritório uma referência em advocacia transacional e resolução de disputas societárias. Seu legado permanecerá vivo nas gerações de advogados que influenciou. Ao longo dos anos, integrou órgãos de direção de sociedades filantrópicas e entidades profissionais de classe. Também ocupou cargos em conselhos de administração, conselho fiscal e diretoria de clientes, empresas multinacionais e companhias abertas. Rogério Themudo Lessa morreu aos 78 anos no dia 12 de agosto, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em decorrência de complicações da esclerodermia sistêmica, uma doença autoimune com a qual conviveu pelos últimos 15 anos. Deixa a mulher, Célia, os filhos Daniela Lessa e Marcos Lessa, ambos advogados, e os netos Carolina, Pedro e Isabela. "Meu pai é, na verdade, indescritível. Introspectivo, leitor incansável, feliz em viajar, na casa de Campos do Jordão e em qualquer conversa que não fosse sobre pessoas ou banalidades", diz a filha, Daniela. "Uma vez, numa conferência internacional, perguntaram a ele como fazia para descomprimir da pressão do trabalho. Respondeu que ia para Campos conversar com o Oliver, seu velho labrador. No fim do evento, uma advogada canadense veio tirar a dúvida: 'Você conversa mesmo com o seu cachorro?' E ele: 'Não. Eu só escuto o que ele me diz.' Tive a sorte e o enorme privilégio de conviver, por 51 anos, com tudo o que ele era", recorda. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Foi precursor da advocacia empresarial no pa�s
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.