Paulo Zuppo tinha a medicina quase como um sacerdócio. Exerceu o cuidado ao próximo durante toda sua vida, inspirando familiares e pacientes. Viveu por cem anos e nunca negou um atendimento, especialmente a quem não podia pagar. Durante décadas, atendeu, sem cobrar, funcionários e familiares do Jaraguá Clube Campestre, em Pirituba (SP), do qual foi sócio-fundador e presidente da Comissão de Saúde e Higiene. No local, em homenagem ao humanismo de Paulo Zuppo, foi dado seu nome a um projeto social de tênis para crianças em vulnerabilidade social. O médico também atendeu gratuitamente funcionários da TV Tupi, logo após se mudar para Sumaré (SP), em 1966, e virar vizinho do famoso casal da emissora na época: Airton Rodrigues e Lolita Rodrigues, que se tornaram pacientes e amigos, recorda o filho Ricardo Zuppo. Ele conta que o pai foi médico de vários artistas famosos de então, como Lucia Lambertini (a primeira Emíllia do "Sítio do Pica-Pau Amarelo" na TV) e sua irmã Leonor Lambertini, além de Ronald Golias, entre outros. Médico cirurgião formado pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), na turma de 1952, atuava no Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, no qual foi presidente do Departamento Científico, ocasião em que transformou os métodos de estudo, organizando os conteúdos das aulas em apostilas, inéditas até então, ressalta Ricardo, que seguiu a mesma profissão do pai. Em sua carreira, Paulo atuou no Hospital das Clínicas de SP, Hospital São Camilo e Hospital Sorocabana, além de casas de repouso na Lapa, onde teve consultório particular por 60 anos. Foi um dos primeiros médicos da colônia Baresa (imigrantes de Bari, na Itália), no bairro do Brás, onde os pais, os italianos Natale Zupo e Catarina Gravina, tinham uma casa de produtos naturais. Nascido em 1º de maio de 1926, em São Paulo, teve uma infância feliz ao lado dos cinco irmãos, crescendo na educação católica. Incentivado pelo avô, decidiu estudar medicina e nela persistiu por amor, conta o filho Paulo Zuppo Junior, também médico. Ele observa que o pai tinha muita empatia, generosidade e respeito com as pessoas, tratando todos com igualdade e dignidade, independentemente da classe social. Aos filhos deixou ensinamentos de bondade e caráter. "Atendia a todos que o procuravam, indistintamente. Nos ensinou pelo exemplo. Aos cem anos, ainda desejava ser útil", diz Ricardo, ressaltando que Paulo foi um marido carinhoso com sua mãe, a enfermeira Clarice, que conheceu na USP e com quem foi casado por 69 anos. Nas horas vagas, o cirurgião gostava de jogar tênis. Ele também era palmeirense fanático, diz Ricardo. "Não perdeu um jogo." Paulo Zuppo morreu de causas naturais em 30 de maio. Deixa a mulher, três filhos e nove sobrinhos. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Foi m�dico de artistas famosos da antiga TV Tupi
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