Quando criança, na cidade de Zamora, na Espanha, Luis Garcia Jorge teve o primeiro contato com figuras esculpidas ao comer os bolinhos que a mãe, Marília, fazia com formatos de animais, como jacarés e ovelhas. A partir dali, a arte se tornou o seu mundo. Ainda jovem, ele se encantou com as estátuas de santos nas procissões da histórica cidade do noroeste espanhol e decidiu estudar artes. Formou-se na Escola Superior de Belas Artes de San Jorge, em Barcelona. Primogênito de seis filhos do casal Manolo e Marília, ele nasceu em 12 de junho de 1931. Vinte e nove anos depois, desembarcou no porto de Santos com a ex-mulher Francisca, grávida do primeiro filho, e com um diploma de professor de desenho e pintura embaixo do braço. Ajudado pela comunidade espanhola da cidade, foi admitido como professor no Centro Espanhol e Repatriação e no Centro de Estudos Hispânicos. Paralelamente, começou a esculpir em bronze e terracota. Até 1980, Garcia se destacou como decorador e criador de cenografia e carros alegóricos para o Carnaval santista e para festas e bailes temáticos de clubes como o Caiçara e o Ilha Porchat. Fez muito sucesso com a criação de ambientes para o baile "Uma Noite no Hawaí" e "Uma Noite nos Mares do Sul". Ele ficou na cidade litorânea até o final da década de 1990, quando construiu um galpão na vizinha São Vicente, anexo à sua casa. No ateliê, criou a maior parte das grandes esculturas de sua carreira, que estão expostas nas cidades da região. Segundo a Prefeitura de Santos, Garcia Jorge é o artista com mais esculturas públicas na cidade: são 23 obras, entre estátuas, bustos e hermas —pilar ou coluna de pedra com a cabeça de uma figura esculpida no topo— de homens e mulheres ilustres, assim como de figuras mitológicas, que enfeitam jardins, prédios públicos e praças. Entre suas esculturas mais conhecidas estão o Monumento a Cristóvão Colombo, instalado nos jardins da orla, no José Menino; o monumento de Dom Quixote e Sancho Pança, no Centro Espanhol de Santos; o busto do Visconde de Mauá, na praça Mauá; além de trabalhos dedicados a personalidades e figuras ligadas à história de Santos e do Brasil. Em São Vicente, destaca-se a imagem do Rei Pelé na Orla do Gonzaguinha. E no Píer de Cubatão estão duas de suas últimas esculturas: a de Afonso Schmidt e outra do Rei Pelé. "Seu legado ultrapassa o bronze e a pedra: está nas histórias que suas obras ajudam a contar por meio de sua arte", declarou o secretário municipal de Cultura de Santos, Rafael Leal. Apesar de ter se destacado na escultura, ele era adepto da pintura clássica e, segundo a família, sonhava em voltar a pintar, o que fazia ultimamente, mostrando o resultado aos amigos mais próximos. Garcia Jorge morou sozinho até o fim da vida, em sua casa-ateliê em São Vicente. Caminhava sem dificuldades e gozava de disposição e boa memória, mas morreu no dia 20 de agosto, aos 95 anos, devido a um tumor cerebral tardiamente descoberto, por ter sido assintomático. Ele deixou os filhos Hugo, Luis Ricardo, Ângela Sofia e Laura, netos e toda a Baixada Santista de luto. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas
Mortes: Escultor espanhol eternizou sua arte nas cidades da Baixada Santista
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