Mortes: Comerciante levou com ele o DNA da Mooca

Mortes: Comerciante levou com ele o DNA da Mooca

André nasceu numa tarde de sol no final de outubro de 1956. Ainda me lembro do orgulho de meus pais e como minha mãe estava feliz enquanto cuidava do novo herdeiro dos Briguglios. André era mais ruivo do que eu, tinha olhos verdes e muitas sardas. Nosso pai fabricava bicicletas e velocípedes. Criou um modelo especial para comemorar a chegada do André: o "dois irmãos". Um triciclo que portava uma cadeirinha para um passageiro. Treze anos depois, nosso pai, Nunzio, se foi aos 69 anos, devido a uma úlcera duodenal, e nós dois entendemos que teríamos que enfrentar a maturidade juntos. Foram anos difíceis, mas nós estávamos na Mooca, belo. André logo mostrou uma capacidade incrível de lidar com o comércio. Era impressionante como ele era capaz de valorizar um monte de sucata e ferro-velho e fazer negócios. Meu pai ficaria orgulhoso. Minha mãe sempre se orgulhou dele. Da sucata e do ferro-velho, ele logo passou a lidar com carros usados. Casou-se com Maria Montserrat e teve um casal de filhos: Arturo e Bruna. Arturo depois se casaria com Kelly e lhe daria um neto, Andrei. Os dois eram os responsáveis pela Via Expressa, uma das tantas lojas de veículos usados no bairro. Arturo dividia o dia a dia com o pai. "Meu pai era o diferencial da loja. Sua experiência e a forma sempre decidida de negociar veículos sempre terminava com clientes satisfeitos que se tornavam amigos dele. Tinha a capacidade do improviso e da negociação, qualquer que fosse o problema", lembra Arturo. André era amoroso com a família. Assumia os problemas de todos. Sempre com um sorriso no rosto. "Sua maior felicidade era reunir a família. Gostava de contar e ouvir histórias. Quando se juntavam, ele, meu tio e meu irmão, o assunto invariavelmente era o Palmeiras", diz Bruna. Infelizmente, na sexta-feira (16), cinco dias antes de ele completar 70 anos, André nos deixou, vítima de complicações em uma cirurgia de transplante de fígado no Hospital São Paulo. Me deixou na mão, seu irmão mais velho. Deixou também a mulher, Rosa, cinco sobrinhos, três sobrinhas-netas e mais uma que está a caminho. Deixou uma montanha de saudades e um legado para todos que passaram por ele, mesmo aqueles que o conheceram apenas pelas histórias que circulam pelo bairro. André, meu irmão, tinha o DNA da Mooca. Foi batizado na Igreja de São Rafael, estudou no Osvaldo Cruz, no São Judas Tadeu, frequentou o Pepe Legal e o Juventus. Foi goleiro do Mônaco. Era palmeirense doente. E um dos fundadores da Escola de Samba Unidos da Mooca. coluna.obituario@grupofolha.com.br Veja os anúncios de mortes Veja os anúncios de missas

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