Morreu, nesta quinta-feira, o renomado arquiteto e designer de interiores ítalo-brasileiro Ugo di Pace, aos 99 anos. A informação foi confirmada em suas redes sociais. A causa não foi divulgada. Célebre por fazer da arte um elemento fundamental de projeto para clientes ricos, no Brasil e no mundo, ele ficou conhecido pelo projeto da badalada boate paulistana The Gallery, nos Jardins, nos anos 1980, que tinha uma concorrida vitrine dedicada à exposição de peças raras de antiquários e obras de amigos colecionadores. Um deles era Pietro Maria Bardi, um dos criadores do Masp, que foi seu sócio em uma galeria de arte em Roma, nos anos 1960. Marcas de seu trabalho como decorador eram a preferência por espaços integrados, sem muitas paredes entre os ambientes, e o uso de fragmentos de arquitetura, como pedaços de colunas antigas, que acabavam integrados à decoração, ganhando novas utilidades. Também foi pioneiro ao abrir, no final dos anos 1960, o primeiro escritório de arquitetura na alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. À época mais residencial, o logradouro mais tarde se tornaria o maior polo de design e decoração de luxo do Brasil. Depois, no mesmo endereço na "Gabriel", como a rua é chamada pelos frequentadores, ele teve o Studio 689, misto de galeria e antiquário em que exibia sua coleção de objetos antigos e obras de arte. Lá, de tempos em tempos, rearranjava a sua coleção de cerca de 2.000 peças, sem intenção de venda. Muitas eram peças históricas, como fragmentos de arquitetura renascentista, mas Di Pace tinha também trabalhos de Victor Brecheret e joias contemporâneas, como itens dos irmãos Campana. "Mobiliar é simplesmente dispor mobiliário; decorar é outra coisa", dizia ele, que assinou centenas de projetos em cidades como São Paulo, Nova York, Paris e Istambul. "A maior parte das casas é mobiliada e não decorada. Para o decorador, o importante é o móvel, o sofá e o babado da cortina. Para mim, não. O mais importante é a arquitetura de interiores, com a obra de arte como protagonista de todos os espaços", disse o arquiteto em uma entrevista à Folha. Di Pace dizia não gostar de dar nome de seus clientes famosos do Brasil. Mas, dentre as estrelas internacionais, trabalhou para o diretor americano Steven Spielberg, que conheceu por meio de um vizinho em Nova York. Nascido em 1927, em uma família de engenheiros e construtores, Di Pace veio da elite de Nápoles direto para a elite paulistana. A primeira viagem ao Brasil foi em 1948, a convite de Rudi Crespi, filho do industrial que ajudou a fundar o colégio Dante Alighieri. Logo radicou-se em São Paulo, em 1951, quando chegou a ser sócio do arquiteto Germano Mariutti. A carreira no Brasil evoluiu bem. Nos anos 1970, Di Pace afirmou que seu escritório chegou a tocar 120 obras ao mesmo tempo, algumas no exterior. "Naquela época eu tinha placas do meu escritório espalhadas pelo Jardins inteiro, nas obras em andamento, com o endereço da Gabriel. E aí todo mundo começou a vir atrás de mim", disse.
Morre Ugo di Pace, arquiteto e designer de interiores �talo-brasileiro, aos 99 anos
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