Morre Patricio Guzm�n, um dos principais diretores de cinema do Chile, aos 85 anos

Morre Patricio Guzm�n, um dos principais diretores de cinema do Chile, aos 85 anos

Patricio Guzmán, um dos principais documentaristas políticos do Chile e da América Latina, morreu na manhã desta terça-feira (15), aos 85 anos. Autor do aclamado documentário em três partes "A Batalha do Chile", lançado de 1975 a 1979, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória em um hospital em Paris, segundo o portal Cooperativa. Fontes próximas ao cineasta afirmam que ele tratava uma doença há três anos. Nascido em agosto de 1941, Guzmán retratou a esperança e as tensões políticas do seu país nos anos 1970, falando sobre o governo de Salvador Allende e sua derrubada pelo golpe militar que pôs o general Augusto Pinochet no poder. Com filmagens feitas no calor da hora, em que se sobrepõem o tom panfletário e a urgência e obstinação em testemunhar a convulsão em Santiago, seu trabalho registrou a derrocada democrática em tempo real. Guzmán foi preso logo após o golpe. Conseguiu ser liberado após semanas de interrogatórios e de forte pressão psicológica e partiu para o exílio com as dezenas de horas de material rodado na capital chilena. Nunca voltaria a morar no país, ainda que a cultura e a política tenham continuado a dominar as reflexões de suas obras. Ao longo da carreira, voltaria constantemente a investigar a ditadura de Pinochet e a preservar a memória de um país marcado pela violência política. Não raro, aproveitou a paisagem do Chile para fazer essas reflexões. Em "Nostalgia da Luz", de 2010, observa o céu do deserto do Atacama para falar sobre os desaparecidos da ditadura e o trauma deixado pelo regime. O filme estreou no Festival de Cannes e consolidou sua projeção internacional com uma metáfora de seu passado traumático. "O golpe foi um choque tão grande que produziu uma paralisia mental", afirmou o cineasta à Folha sobre a ditadura militar que derrubou Allende, em 1973. Depois vieram "O Botão de Pérola", em 2015, "A Cordilheira dos Sonhos", em 2019, e "Meu País Imaginário", em 2022. Neste último, mirou o futuro do país, registrando os protestos que tomaram as ruas de Santiago, em 2019, com exigências por mais igualdade social nas áreas da educação, saúde e emprego. Na última semana, a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo havia anunciado ainda que exibirá cópias restauradas inéditas de "O Primeiro Ano", seu primeiro documentário, de 1972 —sobre o início do governo Allende— e das três partes de "A Batalha do Chile". Ao longo dos anos, Guzmán recebeu o Urso de Prata do Festival de Berlim pelo roteiro de "O Botão de Pérola", e o prêmio Goya e o Olho de Ouro de Cannes por "A Cordilheira dos Sonhos". Em 1997, fundou o Festival Internacional de Documentários de Santiago (FIDOCS), dedicado ao cinema documental. Em 2023, recebeu o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais, a principal distinção cultural do Chile na área.

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