O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC negocia com empresas da região alterações em convenções e acordos coletivos de trabalho para implantação da nova jornada após o fim da escala 6x1. A entidade já havia enviado propostas a metalúrgicas em junho, quando a PEC (proposta de emenda à Constituição) foi aprovada na Câmara dos Deputados. A emenda constitucional 141 foi promulgada no último dia 16, e prevê redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 42 horas em dezembro, com a implantação da escala 5x2 —com dois dias de descanso semanal remunerado—, sem redução de salário. Ainda não há acordos fechados, porque os textos finais das convenções e acordos dependem de aprovação em assembleias, mas segundo o presidente do sindicato, Wellington Damasceno, um dia após a PEC passar no Senado Federal, em 14 de outubro, as empresas passaram a procurá-lo. "Quando aprovou na Câmara, procuramos as empresas. Após aprovar no Senado, começou o movimento contrário. A verdade é que, há 20 anos, todas as convenções que a gente negocia a gente coloca na pauta a redução para 40 horas, mas por convenção é muito difícil", diz. As maiores montadoras já adotam a jornada de 40 horas no ABC. O modelo reduzido beneficia cerca de 26 mil trabalhadores de uma base de cerca de 74 mil. Damasceno diz que a intenção é adaptar a redução da jornada às necessidades de cada empresa e dos trabalhadores, sem permitir que as companhias imponham novos horários de forma unilateral. A entidade defende que as alterações sejam negociadas com os sindicatos, considerando as particularidades dos processos produtivos. "Não vamos aceitar que a empresa coloque a jornada no quadro de avisos. Vamos negociar a partir do ponto de vista da empresa, mas dando para o trabalhador a melhoria da jornada dele", afirma. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Enquanto as discussões ocorriam no Congresso e mesmo com o ceticismo das empresas ante a aprovação da proposta, o presidente do sindicato passou a orientar as diretorias a procurar as empresas e iniciou debates internos, com seminários envolvendo representantes do sindicato, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e do departamento jurídico para preparar as negociações. Segundo ele, o cálculo das jornadas parece algo simples, mas é complexo e exige atenção a detalhes da operação industrial. Uma mudança mal planejada pode provocar sobreposição de turnos, prejudicar o funcionamento das máquinas e alterar horários de entrada, saída e refeições dos funcionários. Ele diz que há preocupação com a segurança dos trabalhadores, com o horário de pico no trânsito e no transporte público, e ainda com a rotina das mães. Por isso, a entidade quer começar a discutir as alternativas desde já, para que antes do prazo de 60 dias, que termina em 16 de dezembro, o ABC já esteja preparado. Damasceno diz que nenhuma empresa quer tomar a iniciativa de mudar a jornada, por isso a legislação foi importante. Para ele, a mudança é a maior desde a Constituição de 1988, quando houve a redução da jornada de trabalho de 48 horas semanais para 44 horas, em emenda redigida pelo hoje presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O sindicato dos metalúrgicos local e o de São Paulo estão entre os pioneiros nos debates sobre a discussão da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, ainda na década de 1980, em meio a grandes greves e à Ditadura Militar, sob o risco de prisão de trabalhadores grevistas. Damasceno vê a mudança na Constituição como uma oportunidade para tornar o emprego formal mais atraente. Segundo ele, empresas relatam dificuldades para contratar trabalhadores, enquanto o trabalho por aplicativos transmite uma sensação de liberdade que os empregos tradicionais nem sempre oferecem. A negociação, afirma, deve buscar jornadas mais adequadas à realidade dos profissionais, e não apenas horários mais flexíveis. O sindicalista cita como exemplo os funcionários que precisam acordar por volta das 5h para chegar ao trabalho, rotina que considera especialmente desgastante.
Metal�rgicos do ABC come�am a negociar nova jornada ap�s fim da escala 6x1
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