A expansão das redes sociais e das tecnologias digitais representa avanço, sem dúvida, tanto para a divulgação das campanhas dos candidatos quanto para o acesso dos cidadãos a diferentes projetos políticos e ao debate público. Mas tal avanço, dadas a escala e a dinâmica do volume informacional, também representa enorme desafio para que a Justiça Eleitoral faça valer a regulamentação que garante a equidade entre os postulantes. Por isso as plataformas têm o dever de monitorar e aprimorar seus procedimentos técnicos para minimizar falhas capazes de afetar o processo eleitoral e corrigi-las com transparência do modo mais célere possível. O caso recente que envolve impacto no alcance da propaganda online de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostra que a Meta, que controla o Instagram, o Facebook e o WhatsApp, enfrenta dificuldades nessa seara. Mensagens internas da empresa obtidas pela Folha mostram relatos de funcionários que constatam restrições a contas de Lula no Instagram e recomendação algorítmica do perfil de Flávio Bolsonaro (PL) na plataforma e no WhatsApp —prática vedada pelo Tribunal Superior Eleitoral. No dia 9, o perfil oficial de Lula não conseguiu impulsionar postagens no feed do Instagram por quase 24 horas. Esse procedimento é fundamental para que políticos ampliem o acesso aos seus conteúdos, já que o TSE proíbe recomendação algorítmica. O problema foi reportado à Meta, mas funcionários reclamaram da demora na solução por parte de engenheiros nos EUA. Em nota, a empresa diz que naquele dia ocorreu uma falha global no gerenciador de anúncios que foi revertida no dia 10, mas o comunicado não trata da recomendação algorítmica de Flávio, cuja conta não foi afetada. Nesta segunda (19), o ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze estabeleceu prazo de 24 horas para que a Meta comprove que dá tratamento igualitário às duas candidaturas em seus algoritmos e sistemas de inteligência artificial. Isso porque, segundo Bellizze, a empresa não cumpriu satisfatoriamente uma decisão da corte que, na sexta (16), ordenou a adoção de medidas nesse sentido. Espera-se que a empresa aja com transparência, apresentando os dados e documentos necessários, além de redobrar a atenção aos seus protocolos e procedimentos técnicos. É o mínimo que as plataformas devem fazer para não levantar dúvidas sobre sua atuação nesse que é o momento basilar da democracia. editoriais@grupofolha.com.br
Meta deve agir com transpar�ncia na campanha
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