Meta derruba posts de comentaristas pol�ticos por suposta viola��o de regras eleitorais

Meta derruba posts de comentaristas pol�ticos por suposta viola��o de regras eleitorais

O economista Joel Pinheiro da Fonseca, colunista da Folha, e o comentarista político Caio Coppolla tiveram postagens derrubadas nesta quinta-feira (1º) pela Meta, dona das redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp. Ambos os vídeos foram publicados no Instagram e, segundo Joel e Coppolla, a Meta justificou a derrubada como uma forma de cumprir as regras eleitorais brasileiras. Os conteúdos foram restringidos do território nacional, embora seguissem disponíveis fora do país. Os perfis seguem ativos. Procurada pela reportagem, a empresa afirmou que está "empenhada em cumprir com o período de silêncio determinado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para conteúdos com uso de inteligência artificial". A publicação de Joel foi "temporariamente bloqueada no Brasil por ter sido identificada por nossos sistemas como conteúdo com indícios de uso de IA", diz a empresa. "Após revisão, concluímos que não havia violação às regras eleitorais". O vídeo foi reestabelecido nesta tarde. Já sobre o vídeo de Coppolla, a Meta afirmou que "a publicação em questão foi bloqueada no Brasil com base na resolução eleitoral sobre período de silêncio para conteúdos com uso de IA, neste caso incluindo imagem e voz de candidato". O vídeo segue fora do ar. A Folha também procurou o TSE por e-mail e WhatsApp nesta tarde, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O vídeo de Joel, também comentarista da GloboNews, analisava as últimas medidas tomadas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino em relação ao caso Nossa Senhora Aparecida. O magistrado, no domingo (27), suspendeu a derrubada de postagens que acusam Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e candidato à Presidência, de querer retirar da santa católica o título de padroeira do Brasil. "É perfeitamente legítimo a pessoa dizer: ‘não, eu acho que a lei eleitoral deveria permitir inclusive alegações falsas sobre os candidatos’. Mas o fato é que os precedentes, a jurisprudência do TSE não vai nessa direção. Vai na direção contrária, de dizer: ‘não, se você está acusando falsamente algum candidato em tempo de eleição, a Justiça Eleitoral vai tirar o seu conteúdo do ar’", diz Joel no vídeo derrubado. Dino determinou na manhã de quarta-feira (30) a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o que chamou de "onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas". Poucas horas mais tarde, a PF cumpriu a ordem do relator e abriu a investigação. A decisão foi divulgada quase simultaneamente ao início do julgamento do caso pelo TSE, em que o ministro André Mendonça reiterou voto pela remoção dos conteúdos e chamou de "irresponsáveis" as alegações de que estaria restringindo a liberdade religiosa. À noite, a derrubada das postagens foi mantida no plenário do tribunal. O colunista da Folha diz que Dino, ao abrir o inquérito, mantém o tema em evidência em um momento em que o espraiamento das notícias falsas estava em declínio. "De onde que se tirou que é o Supremo que vai coordenar e iniciar uma investigação nacional sobre isso? Quem estava certo nessa história toda é o ministro Edson Fachin: ou Supremo vai se autolimitar ou ele será limitado por fora. O Supremo já não se autolimitou. A questão agora: quando é que o Senado vai fazer isso?", completa. No caso de Coppolla, o vídeo retirado do ar analisava a fala da jornalista Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, no podcast "Fora da Bolha" de domingo retrasado (20). Ela afirmou que os debates sobre a gestão fiscal do governo Lula (PT) ou as acusações de corrupção funcionam como "munição ou pretexto" para uma rejeição que, na visão dela, tem fundo "em um ódio de classe muito arraigado". Coppolla questiona a afirmação. "Que ódio é esse? O mesmo ódio que elegeu o Lula três vezes presidente da República? Que jeito interessante esse do cidadão brasileiro discriminar um político". O vídeo, de oito minutos de duração, é pontuado com trechos da mesma entrevista de Vera Magalhães e por falas de Lula ao longo dos últimos mandatos. Ele critica a afirmação de que a rejeição ao petista se baseia em "ódio de classe" e menciona eventos que, na visão dele, fundamentaram o antipetismo —das ações penais que o condenaram à prisão ao preço dos alimentos durante a atual gestão. "Olha, com certeza o Karl Marx, o Fidel Castro e o Nicolás Maduro ficariam orgulhosos da linha de raciocínio da jornalista. Mas essa tese do ódio de classe pode ser facilmente refutada pelo registro histórico", diz Coppola. A derrubada dos vídeos de Coppolla e Joel Pinheiro lembram o caso do perfil Revelando, que publicou uma série de reportagens sobre as relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política, principalmente Flávio Bolsonaro. A Meta derrubou o perfil do Instagram na semana passada e, após ser procurada pela reportagem, restaurou a conta e pediu desculpas. "Após uma revisão interna, restauramos a conta mencionada pela reportagem. Pedimos desculpas pela inconveniência", disse em nota.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.