O memorial do Clube da Esquina, no bairro de Santa Tereza, na região leste de Belo Horizonte, amanheceu vandalizado nesta sexta-feira, com tinta vermelha espalhada pelo local e manchas nas placas que homenageiam artistas do movimento musical mineiro. O episódio ocorreu três dias antes do aniversário de 84 anos de Milton Nascimento, celebrado na próxima segunda-feira. Virginia Camara, diretora do espaço, afirma que a equipe ainda não conseguiu compreender a motivação do ataque. Segundo ela, a orientação da polícia é não tentar remover a tinta antes da realização da perícia. A intenção, depois da liberação do local, é buscar maneiras de recuperar as placas. "Nosso público é de todas as raças, credos e cores e não entendemos até agora o que aconteceu", diz Camara. Para a diretora, o vandalismo não se justifica como forma de manifestação política ou de descontentamento. "Vivemos num país livre e democrático. Não precisa fazer nenhum tipo de ataque para fazer protesto." A diretora suspeita que a ação possa ter motivação política, mas não há confirmação sobre o que levou ao ataque. Ela também lamenta que o episódio tenha atingido um espaço dedicado à preservação da música brasileira. "A música está acima de tudo", diz. Em comunicado, o Bar e Museu Clube da Esquina afirmou que a ação representa um desrespeito à história cultural do país. "A esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis é muito mais do que um endereço. É um símbolo de encontros, amizades, sonhos e de um movimento musical que nasceu em Minas Gerais e ganhou o mundo", diz a nota. "Às vésperas do aniversário do nosso eterno Bituca, ver esse espaço desrespeitado torna tudo ainda mais doloroso. Podem manchar nossas paredes, mas jamais apagar nossa história", acrescenta o comunicado. Imagens de segurança registraram a passagem de um homem pelo local por volta das 4h50, mas não mostraram o momento em que a tinta foi aplicada. Segundo informações da Guarda Municipal, o suspeito teria chegado em um carro branco, desembarcado com uma lata de tinta e retornado ao veículo após a ação. Uma lata de tinta e luvas foram encontradas no local. Câmeras de um imóvel vizinho teriam registrado o episódio, enquanto os equipamentos do próprio memorial não captaram imagens nítidas do homem. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que investiga a autoria e as circunstâncias da ocorrência. A perícia foi requisitada, e uma equipe de policiais foi mobilizada para os primeiros levantamentos. Até a publicação deste texto, o responsável não havia sido identificado publicamente. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), também repudiou o ataque em um vídeo publicado nas redes sociais. "Clube da Esquina, um dos principais patrimônios da história cultural de Belo Horizonte, de Minas e do Brasil", afirmou. Em seguida, dirigiu-se ao autor da ação e disse: "Eu vou dar um recado para você que fez isso: eu vou te pegar". "Estamos trabalhando contra vândalos, contra pichadores, contra você que sai de casa para poder fazer isso aqui, tolerância zero", afirmou. Surgido em Belo Horizonte entre as décadas de 1960 e 1970, o Clube da Esquina reuniu nomes como Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes e se tornou uma das experiências mais influentes da música popular brasileira. O Bar e Museu Clube da Esquina, fundado em 2015, preserva fotografias, discos e objetos ligados ao movimento, além de promover apresentações musicais e exposições. O imóvel é particular e, segundo a Guarda Municipal, passa por um processo de reconhecimento como patrimônio.
Memorial do Clube da Esquina � vandalizado com tinta em Belo Horizonte
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