Memes viram parte do jogo e furam as bolhas digitais na Copa do Mundo 2026

Memes viram parte do jogo e furam as bolhas digitais na Copa do Mundo 2026

Ao longo da Copa do Mundo de 2026 os memes se consolidaram como parte da narrativa do torneio. Para Wangler Bastos, cofundador e CMO da Antro, isso acontece porque "atletas, influenciadores e organizações entram na brincadeira" e, quando isso acontece "o meme deixa de ser apenas humor e passa a fazer parte da experiência do evento". Um exemplo é a paródia que coloca Erling Haaland e Vinicius Junior na famosa cena do filme "As Branquelas", um dos memes mais compartilhados neste Mundial. O vídeo, feito por inteligência artificial, viralizou e chegou ao próprio Terry Crews, um dos protagonistas do filme, e acabou ganhando uma reação oficial publicada pela Fifa. Para a Antro, hub de entretenimento, mídia e comunidades especializado em cultura digital, o episódio ilustra uma mudança mais ampla na dinâmica das redes sociais. Na avaliação da empresa, o caso de Haaland e Vini Jr. não é isolado: nesta Copa, os memes deixaram de ser apenas reações espontâneas do público e passaram a influenciar a forma como estes grandes eventos são consumidos e lembrados. No vídeo publicado pela Fifa no Instagram, o ator que interpreta Latrell Spencer afirma que o meme é "a combinação perfeita entre entretenimento e esporte" e diz ter se surpreendido com o resultado. "Eu fiz esse filme há 20 anos e agora ele está mais popular do que nunca", comenta o ator antes da partida entre Brasil e Noruega. "O sucesso desse conteúdo não está na inteligência artificial. Ela foi apenas a ferramenta. O que realmente conecta as pessoas é uma referência cultural compartilhada por diferentes gerações, que ganhou um novo significado dentro da Copa do Mundo. Hoje, os memes não apenas comentam os acontecimentos; eles ajudam a construir a narrativa deles", afirma Bastos. E não foi apenas com o vídeo inspirado no filme que Haaland furou a bolha do futebol nas redes. Um dos jogadores que mais ganharam seguidores durante a Copa, o atacante norueguês viu a popularidade chegar aos cartórios de registro civil do Peru: 468 recém-nascidos receberam o sobrenome Haaland, enquanto outros 91 foram registrados com o nome completo Erling Haaland. O volante da seleção brasileira Casemiro e o atacante francês Kylian Mbappé são outros exemplos desse movimento. Casemiro comemorou um gol reproduzindo o gesto do Six Seven, enquanto Mbappé entrou na brincadeira com o meme Kylian Ditador. Os casos mostram que referências antes restritas às comunidades digitais passaram a integrar o universo da Copa e a ser incorporadas pelos próprios atletas. A influência do digital também aparece na forma como os torcedores vivenciam a competição. Referências que surgem nas redes sociais passaram a ocupar as arquibancadas, com fãs criando fantasias, cartazes e encenações inspiradas em memes da Copa —o Kylian Ditador é mais uma vez exemplo de como essas brincadeiras deixaram as telas e chegam às ruas e aos estádios. O sucesso dos memes envolvendo Endrick e o apelo da torcida pela entrada do atacante em campo durante os jogos do Brasil também ultrapassam as redes sociais e chegaram às marcas. A 99 entrou nessa onda e levou a brincadeira para uma campanha em que ofereceu cupons a consumidores atendidos por parceiros com nomes homônimos ao do jogador. A CBF notificou o aplicativo e afirmou que a campanha utiliza indevidamente direitos de personalidade do atleta convocado para a seleção brasileira, além de elementos visuais, cores e referências de comunicação associados à entidade e à equipe nacional. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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