Estabeleceu-se neste século uma expressiva diferença de qualidade entre o futebol praticado no Brasil e o apreciado nos principais torneios europeus —em nosso desfavor. O motivo principal é, obviamente, econômico. Mesmo clubes médios ingleses, espanhóis, italianos, alemães e franceses dispõem de receitas em moeda forte e orçamentos superiores aos dos grandes brasileiros. Com ampla liberdade para contratações, inexistente em outros tempos, a Europa abriga praticamente toda a elite de atletas, treinadores, preparadores físicos e outros profissionais do esporte. Gigantes como Real Madrid, Arsenal e PSG têm elencos comparáveis, se não superiores, aos das principais seleções nacionais. Se a disparidade financeira parece hoje inexorável, há providências que estão ao alcance do país para oferecer um espetáculo melhor ao público —e também tornar nossos clubes mais competitivos no plano global. Um exemplo virtuoso são as regras recém-adotadas para aumentar o tempo de bola em jogo no Campeonato Brasileiro, coibindo artifícios exasperantes usados por equipes para retardar o andamento das partidas quando o placar lhes interessa. Instituíram-se protocolos simples, como limites de tempo para arremessos laterais, tiros de meta e substituições, além de normas para a retirada de jogadores de campo em casos de atendimento médico e para questionamentos ao árbitro, que devem caber apenas aos capitães dos times. As medidas têm sido eficazes. No primeiro fim de semana em que vigoraram, o período médio de bola em jogo aumentou 5%, de uma média anterior de 52 minutos e 54 segundos para uma de 55 minutos e 29 segundos, similar às das grandes ligas europeias. A meta da Fifa são 60 minutos —o que nem parece muito diante da duração regulamentar de 90 minutos de cada partida. Resta muito a fazer para superar práticas arcaicas que, folclore futebolístico à parte, apenas servem para escamotear deficiências de times e atletas. Diga-se a favor do Brasil que por aqui o futebol tem sido mais bem gerido e jogado do que nos vizinhos sul-americanos —como o demonstra a ampla hegemonia do país na Libertadores da América, o principal torneio continental, nos últimos anos. As razões não são apenas econômicas. A despeito de não poucos desmandos na CBF, mantém-se um campeonato nacional competitivo e de regulamento estável, o que incentiva os clubes a apostarem mais em desempenho do que em poder político. editoriais@grupofolha.com.br
Melhorar o futebol n�o depende s� de dinheiro
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