Nova York |Financial Times A maior rede de hambúrgueres do mundo aposta no frango para sair de um período de dificuldades. O McDonald's estabeleceu nesta quarta-feira (24) a meta de ampliar em 1,5 ponto percentual, até 2030, sua participação no mercado global de fast-food de frango, atualmente na casa dos 10%. A empresa estima ter mais de 40% do mercado de hambúrgueres de carne bovina. Rede de fast-food enfrenta queda nas vendas nos EUA e mira expansão em frango, bebidas e tecnologia - Pascal Guyot - 23.set.26/AFP A demanda global por frango superou a de carne bovina nos últimos anos, enquanto o preço da carne moída nos Estados Unidos subiu mais da metade desde 2021. A versatilidade do frango e sua condição de proteína magra fizeram dele a opção preferida de muitos consumidores cada vez mais preocupados com a saúde em todo o mundo. Jill McDonald, diretora global de experiência em restaurantes do McDonald's, disse a investidores nesta quarta-feira que as vendas anuais de frango no setor de fast-food somam US$ 130 bilhões (R$ 673 bilhões) e crescem 5% ao ano nos dez maiores mercados. Em comparação, as vendas de carne bovina chegam a US$ 50 bilhões (R$ 258,4 bilhões) e avançam 3% ao ano. O McDonald's está concentrando esforços na carne branca enquanto suas ações recuam quase 20%, pressionadas pelo crescimento fraco das vendas e pela queda no fluxo de clientes nos EUA, seu maior mercado. As vendas nas mesmas lojas nos EUA cresceram 0,8% no segundo trimestre, ante altas de pelo menos 1,5% nas divisões internacionais. A empresa enfrenta gastos mais contidos entre consumidores de baixa renda, dos quais depende, além de uma forte concorrência. A estratégia do McDonald's de vender mais sanduíches e wraps de frango o colocará em competição mais direta com redes como Chick-fil-A e Raising Cane's. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesO McDonald's lançou frango com empanamento feito à mão em 10 mil restaurantes na Ásia e agora testa o produto em mercados como EUA e Irlanda. Danilo Gargiulo, analista do Bernstein, alertou que produtos empanados dentro das lojas exigem mais mão de obra, equipamentos especializados e cuidados adicionais com segurança alimentar. Para produtos de frango, incluindo os Chicken McNuggets, que geram US$ 15 bilhões (R$ 77,5 bilhões) em vendas anuais, o McDonald's começou a fazer mudanças como otimizar o tempo de cozimento, calibrar as configurações das fritadeiras e ajustar o volume de óleo, disse McDonald. As empresas do setor de alimentos também enfrentam a expansão do uso de medicamentos para perda de peso da classe dos GLP-1, que reduzem o apetite. Cerca de 84% dos lares americanos que têm uma pessoa usando esses medicamentos frequentam o McDonald's, disse Skye Anderson, que assumiu no mês passado a presidência do McDonald's nos EUA, substituindo Joe Erlinger. Anderson afirmou que os medicamentos GLP-1 representam uma oportunidade para o cardápio de carnes e peixes do McDonald's, já que os usuários normalmente procuram consumir mais proteína. No evento com investidores realizado nesta quarta-feira (23), o McDonald's também estabeleceu a meta de ampliar em 1,5 ponto percentual sua participação nas vendas de bebidas, buscando avançar em uma categoria que cresceu à medida que os consumidores passaram a procurar refrescos, "dirty sodas" e outras bebidas coloridas que ganham espaço em suas redes sociais. "O mecanismo de crescimento do setor está mudando", disse Chris Kempczinski, presidente-executivo do McDonald's. "Esperamos que o crescimento do tráfego no setor, nos mercados em que temos operação própria, seja estável enquanto a inflação permanecer elevada. Para o McDonald's ter sucesso nesse ambiente, o crescimento terá de vir da conquista de uma participação maior." As metas foram anunciadas enquanto o McDonald's reunia acionistas e analistas em Chicago para seu primeiro evento com investidores em quase três anos. As ações caíram 5,3% nas negociações do meio do dia. A apresentação do evento detalha uma nova estratégia apresentada aos franqueados em junho para melhorar os cardápios, reformar lojas, integrar o marketing às redes sociais e criadores de conteúdo e melhorar o atendimento em um momento em que muitos clientes fazem pedidos por telas digitais dentro dos restaurantes. "Embora haja muitas coisas que nossos clientes adoram, estamos deixando a desejar quando se trata de uma execução consistente", disse Anderson. "Estamos enfrentando esse desafio de frente. E isso significa manter conversas ativas com proprietários e operadores, fornecedores e funcionários sobre o que está funcionando e o que não está."Além das reformas que os próprios franqueados financiam, eles receberão cerca de US$ 8,5 bilhões (R$ 43,9 bilhões) em apoio do McDonald's ao longo da próxima década para ajudar a implementar a estratégia. Os investimentos incluem a implementação de uma plataforma de inteligência artificial generativa que busca aumentar a eficiência, com tecnologias como um assistente de voz capaz de receber pedidos em tempo real em inglês e espanhol nas pistas de drive-thru do McDonald's. O anúncio ocorreu enquanto os franqueados enfrentavam movimento fraco nos restaurantes, aumento dos custos e pressão sobre os lucros das unidades, afirmou Gargiulo em relatório.
McDonald's amplia aposta em lanches com frango diante de queda nas vendas
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