Marcos Valle e Ana Frango El�trico misturam gera��es em show no Coala Festival

Marcos Valle e Ana Frango El�trico misturam gera��es em show no Coala Festival

Antes de dividirem o palco, Marcos Valle, 82, e Ana Frango Elétrico, 28, dividiram um espaço bem menor —o de uma tela de celular. Ana tocou "Não Tem Nada Não", composta pelo músico em parceria com João Donato e Eumir Deodato, sem imaginar que as gravações da apresentação chegariam até ele. Mas chegaram. Valle ouviu, gostou, entrou em contato e, pouco depois, os dois tocaram juntos pela primeira vez em um evento no Memorial da América Latina, no ano passado. Até que a dupla regravou e lançou oficialmente a música. O que começou como uma marcação em uma rede social se transformou em parceria musical, que chega agora ao Coala Festival. O evento acontece neste sábado (12) e domingo (13), também no Memorial da América Latina. No show, os dois não se alternam em apresentações individuais. Permanecem juntos no palco durante todo o espetáculo, misturando repertórios e músicos. O baixista Alberto Continentino, que já trabalhava com os dois, passou a integrar a banda conjunta. Guilherme Lírio, diretor musical e guitarrista de Ana, também já havia tocado com Valle. O resultado é um repertório que coloca lado a lado músicas de diferentes momentos da carreira dos artistas. "Não Tem Nada Não", "Estrelar", "Samba de Verão", "Água de Coco" estão entre as canções que devem aparecer no espetáculo, além de "Mulher Homem Bicho", "Boy of Stranger Things" e "Mentira" de Ana. A experiência anterior no memorial mostrou aos dois que as fronteiras entre os repertórios podem ser menos evidentes do que parecem. Após a apresentação, espectadores chegaram a comentar que, em determinados momentos, não conseguiam identificar imediatamente de quem era a música. Essa proximidade, no entanto, não se restringe apenas às músicas. Ana chama o cantor de Marquinhos ao longo de toda a entrevista e, por sua vez, Marquinhos faz questão de reforçar o alto calibre criativo de Frango Elétrico, que encanta o artista com suas ideias "da nova geração" para ensaios e apresentações. Como exemplo, lembra que Ana convenceu a banda inteira de usar terninhos para o show no Memorial da América Latina. Valle, um dos nomes ligados à bossa nova que expandiu sua trajetória por diferentes vertentes da música brasileira, diz reconhecer na obra de Ana referências de outras gerações, mas também caminhos próprios. "Dá para ver o que você criou além disso, para onde você caminha", afirmou durante a entrevista. Ana, por sua vez, vê na convivência com o músico uma oportunidade de observar de perto um processo que já admirava. Os arranjos de Valle, que costuma modificar ao vivo músicas que interpreta há décadas, estão entre os objetos de fascínio. A diferença de idade, portanto, não aparece como contraponto no espetáculo. Os dois dizem não haver disputa criativa. As decisões são tomadas a partir de sugestões de ambos, com espaço para mudanças e improvisos. A música é, para Valle, o que prevalece sobre qualquer divisão de gerações. No Coala, a apresentação terá cerca de meia hora e exigirá um recorte do repertório apresentado anteriormente. Ana diz que não pretende eliminar Ana diz que não pretende eliminar as músicas mais lentas para adequar o show ao público de festival. as músicas mais lentas para adequar o show ao público de festival. A ideia é preservar parte da dinâmica do espetáculo original, mas em um formato mais concentrado. A dupla também não descarta registrar a parceria em outro formato. Valle diz enxergar a possibilidade de um disco ou novo projeto conjunto, mas prefere não estabelecer planos. Para ele, a colaboração é mais interessante quando as coisas acontecem sem uma programação rígida. Por enquanto, o próximo passo é o Coala, show que ambos dizem estar animados para realizar —desta vez, porém, sem terninhos.

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