Marcas da SPFW unem Turma da M�nica ao punk e buscam inspira��es no Jap�o

Marcas da SPFW unem Turma da M�nica ao punk e buscam inspira��es no Jap�o

A Turma da Mônica ganhou correntes, couro e botas de plataforma no desfile de Dario Mittmann, enquanto João Pimenta transformou peças tradicionais da alfaiataria masculina em bodies e macacões, em seus desfiles na 61ª edição da São Paulo Fashion Week. Os últimos dias do evento viram ainda as peças criadas pela estreante Hisha, que apostou em roupas ornamentadas, e a Handred, que combinou volumes amplos e transparências numa apresentação marcada por referências asiáticas. Mittmann levou à passarela uma coleção criada em parceria com a Mauricio de Sousa Produções e a Panini para as comemorações dos 90 anos do criador da Turma da Mônica. O desfile colou seus personagens a uma estética de rebeldia juvenil, com roupas largas, jeans, rendas e acessórios metálicos. Os desenhos contrastavam com o peso das correntese e os acabamentos de aparência desgastada, numa tentativa de aproximar o universo infantil do punk e do gótico. Os modelos caminhavam sobre uma passarela formada por gibis, diante de esculturas da Mônica grafitadas. As ilustrações apareciam em diferentes peças, enquanto outros looks apostavam em couro, moletons, fivelas e aplicações que davam às roupas um aspecto mais agressivo. Alguns personagens também ganharam versões sombrias, como o coelho Sansão e o fantasma Penadinho, transportados para uma interpretação adulta do universo criado por Mauricio de Sousa. Algumas peças remetiam ainda ao extrato de tomate Elefante, que tem Jotalhão como mascote, ampliando a dimensão comercial do desfile. A passarela, os gibis, as esculturas e os produtos associados às parcerias deixavam pouco espaço para que a coleção se afastasse do material promocional que lhe serviu de ponto de partida. O encerramento tornou explícita essa ligação, com uma versão de Mônica com correntes e xadrez na passarela. João Pimenta, por sua vez, encontrou na alfaiataria masculina um campo para experimentações menos literais. Com um casting formado por modelos negros e indígenas com franjas loiras, o estilista apresentou uma coleção em preto, branco e cinza que toma o smoking como ponto de partida para questionar as convenções da roupa formal. O desfile embaralhou as funções habituais das peças. O paletó podia terminar como um macacão, enquanto a parte de cima de um terno se ajustava ao corpo como um body, deixando as pernas descobertas. A faixa tradicional do smoking surgia deslocada para o quadril, e gravatas borboleta assumiam formas rígidas e bastante alongadas nos pescoços. Em outras produções, coletes apareciam sobre blazers, invertendo a ordem esperada das camadas. O estilista também trouxe para a superfície elementos normalmente escondidos na confecção, como linhas de costura, entretelas e etiquetas. Os tecidos mais leves e as estruturas menos rígidas afastavam as peças da alfaiataria tradicional, frequentemente associada a materiais pesados e cortes formais. Pimenta preservou a elegância do smoking e mostrou que ela não depende de seguir à risca suas regras de construção. Em sua estreia na SPFW, a Hisha, marca de Giovanna Resende, ganhou visibilidade com roupas de ornamentação. Recentemente, assinou um dos looks de Anitta em seu último projeto musical. Na passarela paulistana, a estilista voltou a apostar nas transparências, rendas, corsets, minissaias e tops inspirados na lingerie, acompanhados de aplicações criativas de pedrarias, que exibiu na Rio Fashion Week, no primeiro semestre. Houve tentativas de alterar a silhueta, principalmente em peças com mangas bufantes, saias balonê, golas altas e estruturas. Essas mudanças, porém, apareceram em meio a produções que repetiam a fórmula já associada à marca, com pele à mostra e ornamentação abundante. A Handred apresentou uma coleção que explorou volumes amplos, gravatas estampadas, calças balão e sobreposições. Tecidos transparentes revelavam partes do corpo sob peças mais estruturadas, enquanto elementos de aparência formal equilibravam a amplitude das silhuetas. As referências asiáticas apareciam nas formas e no styling, e a apresentação no Teatro Cultura Artística ganhou outra dimensão com a participação de percussionistas japoneses tocando tambores e binóculos para que os convidados do teatro vissem de perto as peças. André Namitala, o diretor criativo da marca, se inspirou no Japão para criar a coleção. Ele viajou ao país no início deste ano e conta que queria traduzir nas roupas apresentadas na SPFW "a questão de agito e pausa" que viu por lá, um lugar com "milhares de impulsos diferentes", mas que também convidava à contemplação. Uma parte da coleção, chamada "Vapor em Curso", foi pensada enquanto ele frequentava as casas de banho públicas do país, com o vapor quente da água a deixar seus pensamentos fluírem. Namitala trouxe na mala sedas japonesas —em versões mais e menos brilhosas—, com as quais confeccionou algumas peças desfiladas, que estarão disponíveis para venda na loja da marca em São Paulo. Segundo ele, a venda das peças de passarela é um momento comercial importante para a Handred, tanto que a etiqueta já desfilou uma vez este ano, também na Rio Fashion Week, no que foi considerado um ponto alto do evento. O Japão serviu também de inspiração para as modelagens, mais amplas, que ele chama de "alfaiataria de metrô", por ter visto senhores nipônicos mais velhos vestidos com ternos oversized e com bolsos utilitários em suas viagens pelo país. Nas peças é possível observar calças balão, transparências e recortes maiores que a silhueta dos modelos. A música e o espaço ajudaram a construir uma atmosfera distinta daquela de uma passarela convencional. Nas roupas, o oversized não se limitou a aumentar as proporções e foi combinado a materiais transparentes e elementos mais alinhados, mostrando que a silhueta volumosa pode conviver com certa formalidade. A apresentação apostou, assim, no diálogo entre vestuário e performance para dar unidade à coleção.

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