Mar�a Corina acusa aliado de Trump de corrup��o na Venezuela

Mar�a Corina acusa aliado de Trump de corrup��o na Venezuela

A líder da oposição da Venezuela no exílio, María Corina Machado, disse em uma longa entrevista na última semana que Alejandro Betancourt, o novo parceiro de Washington na indústria de petróleo da Venezuela, é responsável por "corrupção escandalosa" e não seria um parceiro de negócios viável caso ela assuma o poder. Foi a primeira vez que Corina se pronunciou publicamente a respeito de Betancourt, que há pouco tempo fechou um acordo lucrativo com o governo Trump para controlar cerca de um quinto das reservas petrolíferas da Venezuela. O pacto colocou Betancourt, empresário rico que é alvo de investigações por corrupção, no centro da estratégia de Washington para a Venezuela e da transformação do país em um verdadeiro Estado vassalo por parte da administração Trump.A conversa com Corina foi realizada depois de meses em que o governo dos Estados Unidos a manteve a distância —dando preferência a uma autocrata, Delcy Rodríguez, para liderar a nação a partir de janeiro e selando acordos a portas fechadas com figuras controversas como Betancourt. Este, conforme revelou um auditor independente venezuelano do setor de energia, fez fortuna por meio de contratos sem licitação para usinas de energia, que envolveram superfaturamento de entidades estatais. Ex-deputada que lidera a oposição há três anos, Corina não teve permissão para voltar ao seu país, mesmo com o controle enorme de Washington sobre a Venezuela e as declarações repetidas de Marco Rubio, secretário de Estado, de que o objetivo final é uma transição democrática. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Na entrevista para esta reportagem, concedida no Panamá, onde está hospedada temporariamente, Corina declarou que os EUA não a incluíram nas negociações em andamento em Caracas entre o regime venezuelano e um grupo de oposição diferente do de Corina. Ela se recusou a falar sobre sua relação atual com Rubio, a quem conhece há anos, ou a revelar se eles haviam conversado recentemente. Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o partido de Corina tinha sido convidado para participar das negociações em Caracas, acrescentando: "Os EUA não facilitam o retorno de figuras da oposição. María Corina tem todo o direito de entrar em sua nação sempre que quiser voltar". Um funcionário do governo, que pediu anonimato para falar sobre discussões privadas, informou que a empresa de Betancourt foi escolhida por causa de seu histórico de sucesso e que o acordo estará sujeito a auditorias rigorosas. Representantes de Betancourt e Delcy não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. De acordo com Sara Chouraqui, porta-voz de Betancourt, o empresário nunca foi acusado de crime algum em nenhuma jurisdição. Frustrada por estar presa no exterior, Corina se comprometeu a voltar à Venezuela "mais cedo do que vocês imaginam" e mobilizar apoiadores para uma votação futura, repetindo uma promessa que já fizera várias vezes este ano. Uma pesquisa publicada pela Bloomberg News nesta semana mostrou que 52% dos entrevistados apoiariam Corina em uma eleição presidencial, enquanto 19% votariam em Delcy. Quando perguntada por que a Casa Branca desejaria que ela voltasse, considerando os benefícios de contar com a complacência de Delcy no poder, Corina disse acreditar que o governo Trump, no fim das contas, quer a democracia. "Sim, alguns acordos estão sendo fechados agora, mas é só uma fração do que vai ser feito quando tivermos segurança, estabilidade e legitimidade na Venezuela."O New York Times noticiou que a relação entre Corina e o governo Trump chegou a um ponto de alta tensão depois que dois terremotos devastadores atingiram a Venezuela em junho. Corina pressionou Washington para que a ajudasse a retornar ao país sul-americano, mas o governo temia que isso causasse uma desestabilização nacional. Na entrevista, Corina também discorreu sobre como lidaria com questões importantes caso vencesse uma eleição. Qual seria o destino dos acordos recém firmados que envolvem o petróleo e outros recursos? Ela respondeu: "Quero deixar bem claro: se estiverem alinhados com as leis venezuelanas, os contratos e acordos que estão sendo firmados serão respeitados". Ela acrescentou, no entanto, que Betancourt não foi um parceiro sério, tendo lucrado com contratos de energia enquanto não conseguia consertar a rede elétrica da nação. Ela o chamou de "um dos principais responsáveis pelo que nosso povo está sofrendo agora". E quanto ao destino de Delcy, cujo regime é acusado pela ONU e pelos promotores federais de graves violações dos direitos humanos? "Em nossa Constituição e nos tratados internacionais, existem crimes que não estão sujeitos a anistia nem perdão", Corina declarou. Ela não quis dizer se Delcy pode ser presa. Integrante da oposição há muito tempo, Corina ganhou destaque de uma hora para outra há três anos, depois de vencer uma eleição primária. A seguir, mobilizou milhões de venezuelanos para votar em seu movimento no pleito presidencial de 2024. Apesar da coleta de cédulas eleitorais que mostravam o triunfo do candidato apoiado por ela, o ditador Nicolás Maduro reivindicou a vitória. Milhares de venezuelanos tomaram as ruas para protestar, as forças do Estado prenderam mais de 2.000 indivíduos e mais de duas dúzias de pessoas morreram em meio aos distúrbios. Corina passou a viver na clandestinidade na Venezuela, morando sozinha em locais secretos durante mais de um ano. Na entrevista, ela mencionou ter mudado de local 14 vezes durante esse período para evitar ser capturada pelo Estado. Depois, ganhou o Prêmio Nobel da Paz, e, segundo seu relato, fugiu da Venezuela de barco para tentar comparecer à cerimônia, tendo se ferido durante a viagem. Logo depois, entregou seu Prêmio Nobel a Trump, que já estava de olho no prêmio para si. Corina tinha convencido o governo americano de que ela representava estabilidade para o país. Então, em 3 de janeiro, a administração Trump enviou forças dos EUA para capturar Maduro. Naquele dia, Trump postou uma mensagem dizendo que Corina não tinha apoio suficiente na nação para assumir a liderança. Em vez disso, a vice-líder de Maduro se tornaria a líder interina, garantindo, na prática, a continuidade do regime chavista. "Fiquei sabendo como todo mundo, em tempo real, com pessoas me ligando da Venezuela", contou Corina sobre o que houve no 3 de janeiro. Maduro está preso em Nova York, sob acusações de narcotráfico e tortura. Washington anunciou que assumiria o controle das finanças da Venezuela e que essa mudança seria efetuada em três fases: estabilização, recuperação econômica e transição para a democracia. Trump tem dito desde então que Delcy vem fazendo "um ótimo trabalho". Na semana passada, os EUA suspenderam as sanções contra o irmão dela, que é o chefe do Legislativo. Refletindo sobre o plano de três fases, Corina afirmou: "Entendo a lógica e a justificativa para ir devagar. Só que isso poderia ter sido feito sem a Delcy, porque ela faz parte do sistema criminoso. Mas é o que é. É assim que as coisas estão. E, como eu disse antes, é do interesse do povo venezuelano que isso dê certo". Corina está em uma situação delicada: tenta manter a boa relação com o governo Trump, ao mesmo tempo que mostra aos seus apoiadores venezuelanos que considera os interesses deles —e que ainda é importante no debate. Criticar Betancourt pode diminuir as chances de Trump ajudar Corina. Mas isso pode funcionar bem em nível nacional. "A Venezuela será livre. Vamos trazer nossos filhos de volta pra casa. Vamos construir instituições democráticas que vão durar por muitas gerações. Teremos mercados abertos, que vão oferecer condições sem igual para investimentos internacionais e vão transformar nossa nação em uma fonte de estabilidade para a região inteira. Isso vai se concretizar", disse Corina.

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