Um levantamento da Abrafarma (Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias) identificou irregularidades em 117 dos 305 suplementos alimentares e medicamentos analisados em anúncios da Amazon relacionados ao TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade). Os problemas incluem venda de medicamentos sem registro sanitário informado, substâncias que exigem receita médica e promessas de tratamento sem respaldo nas normas sanitárias. Três produtos com alegações terapêuticas são voltados a crianças. Um deles, indicado a partir dos quatro anos, afirma prevenir o TDAH e distúrbios de aprendizagem. Outros dois são florais infantis anunciados como livres de contraindicações e efeitos colaterais. Ao todo, o relatório registrou 42 ocorrências de promessas de tratamento. Dessas, 17 envolvem produtos para adultos que citam o TDAH no nome ou título, enquanto as demais fazem alegações relacionadas a condições como ansiedade, estresse, insônia, depressão, Alzheimer e Parkinson. O estudo também encontrou 22 ocorrências de venda de medicamentos, metade sem registro sanitário informado. Em dez anúncios, a descrição detalhada mencionava piracetam, substância que exige prescrição médica e é associada à melhora da função cognitiva, mas que não aparecia no campo oficial de ingredientes. Outros 43 produtos continham substâncias não autorizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso em suplementos alimentares. Entre elas estão o alfa-GPC, um composto comercializado para fins cognitivos, presente em 17 produtos, e o ginseng, encontrado em 11. A categoria mais frequente reuniu 63 ocorrências relacionadas a produtos considerados inseguros, de origem ilícita ou associados a atividades ilegais. Eram 52 suplementos e 11 medicamentos. Entre os suplementos, 31 não informavam a fórmula. Em seis anúncios de um mesmo vendedor, a lista de ingredientes trazia apenas a expressão "Ativos Naturais Premium". O levantamento identificou ainda sete anúncios com relatos de efeitos adversos, como dor de cabeça, enjoo, mal-estar e aceleração dos batimentos cardíacos. Outros seis alegavam, falsamente, aprovação da Anvisa, e quatro apresentavam indícios de falsificação, incluindo relatos de embalagens sem lacre ou diferentes das fotos dos anúncios. A associação também identificou um produto chamado "TDALA Nutri", cujo nome remete à tadalafila, medicamento usado para tratar disfunção erétil que ganhou popularidade como pré-treino, embora esse uso não seja aprovado para essa finalidade. A prática pode expor usuários a riscos, como queda de pressão e lesões musculares. Procurada pela coluna, a Amazon Brasil afirmou que "as marcas e vendedores parceiros devem cumprir todas as leis, regulamentações e políticas da Amazon aplicáveis ao anunciar produtos em nossa loja." A empresa diz contar com "um amplo conjunto de controles proativos para manter nossa loja segura e em conformidade" e afirma remover imediatamente produtos irregulares identificados. com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Mais de um ter�o dos suplementos para TDAH vendidos na Amazon t�m irregularidades, aponta relat�rio
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