Mais de 2.600 amostras de f�sseis s�o coletadas durante obra de linha de transmiss�o entre PR e SP

Mais de 2.600 amostras de f�sseis s�o coletadas durante obra de linha de transmiss�o entre PR e SP

Mais de 2.600 amostras de fósseis foram coletadas durante escavações para construção de uma linha de transmissão de energia entre Paraná e São Paulo, segundo paleontólogos que acompanharam a obra para identificar e recolher o material. A medida é uma exigência da licença concedida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A análise do material, ainda em andamento, é feita pela UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa). A obra, do grupo Taesa, estende-se por 275 quilômetros. O traçado tem 581 torres e corta 13 municípios entre as cidades de Ponta Grossa, no Paraná, e Assis, no interior paulista, ou cinco formações geológicas (Furnas, Ponta Grossa, Teresina, Rio do Rasto e Botucatu). "Já temos no Brasil os mapas geológicos que mostram onde existem materiais com maior potencial de fósseis. Então, só de saber que a linha de transmissão passaria naquela área, sabíamos que teria muito fóssil. Não é a regra, mas rocha do tipo sedimentar geralmente é rica em fósseis", diz o paleontólogo Henrique Zimmermann, da Nasor Paleontologia e Geologia, empresa contratada pelo Taesa para realizar o trabalho. As 2.655 amostras consistem em pedaços de rocha com fósseis. Em cada delas pode existir até centenas de fósseis. As amostras têm de tudo, segundo Joyce Celerino de Carvalho, paleontóloga que atuou no trabalho de campo. "Tem de peixe, fragmentos de ossos de Mesosaurus, que são alguns vertebrados. Também de invertebrados, que são conchas. Além de fósseis de plantas, que achamos em grande quantidade no município de Ibaiti, para nossa surpresa, porque na literatura não tinha tanta coisa ali." Os vestígios são de idades diferentes, mas todas dentro da escala de milhões de anos atrás. "Encontramos material do Período Permiano, do Carbonífero, do Devoniano. Temos materiais também do Cretáceo. Então, são fósseis de períodos geológicos diferentes", diz Joyce. A maior parte dos fósseis são pequenos. "Um dos que mais me chamou a atenção foi um fragmento de rocha com vários pontinhos pretos, que encontrei na parte rural de Ibaiti. Quando a gente olha na lupa, são vários fósseis de um tipo de planta, mas só a parte reprodutiva dela ficou preservada", afirma a paleontóloga. As atividades de campo ocorreram entre abril de 2025 e janeiro de 2026. As peças de rocha retiradas são armazenadas junto com as informações sobre onde exatamente foram encontradas, dado fundamental para quem vai estudá-las depois. A UEPG disse à reportagem que os materiais estão sendo investigados pelo professor Élvio Bosetti, paleontólogo responsável pela curadoria de fósseis na instituição. Ele coordena o Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia e faz parte da equipe técnica do Museu de Ciências Naturais da universidade. "Para a paleontologia, o que interessa é o fóssil estar no museu para ser estudado. Um fóssil dentro da terra não traz informação para a gente", diz Zimmermann. Ele lembra que a preocupação em coletar as peças junto com o avanço de uma obra começou há cerca de 20 anos no país. Antes disso, foram "séculos de destruição de fósseis, de destruição de patrimônio", resume ele. "Uma obra assim pode danificar o fóssil se ele não for retirado. Então, temos a obrigação de coletar o máximo possível. Deixar um fóssil para trás é condená-lo a nunca ser estudado", afirma o paleontólogo.

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