Mais de 10 mil pessoas s�o evacuadas na Fran�a devido a inc�ndio florestal

Mais de 10 mil pessoas s�o evacuadas na Fran�a devido a inc�ndio florestal

Um incêndio florestal de rápida propagação forçou mais de 10 mil pessoas a deixarem suas casas e acampamentos perto da costa da França. O calor extremo e a seca cada vez mais severa vêm alimentando incêndios por toda a Europa e cientistas alertam que a mudança climática está agravando a escassez de água no continente. O incêndio de rápida propagação devastou pelo menos 2.400 hectares a oeste da cidade de Bordeaux, informaram autoridades nesta quinta-feira (23). Segundo a prefeitura, quinhentos bombeiros estão lutando para controlar as chamas e não há feridos até o momento. O fogo atinge uma região perto da área da baía de Arcachon, um ponto turístico muito procurado, e muitos dos evacuados são visitantes hospedados em campings. "Durante a noite, o fogo se espalhou mais rapidamente do que imaginávamos", disse Philippe de Gonneville, prefeito de Lège-Cap Ferret. Em toda a Europa, três ondas de calor consecutivas nesta temporada intensificaram a seca, sobrecarregaram o abastecimento de água e deixaram a vegetação ressecada como palha. As condições ajudam os incêndios florestais a se espalhar, que já levou as chamas a atingirem uma área maior do que a média anual das duas últimas décadas. As ondas de calor também causaram milhares de mortes no continente, o que mais aquece no mundo. Céu vermelho A península de Cap Ferret, frequentemente comparada aos sofisticados Hamptons nos Estados Unidos, abriga algumas das propriedades mais caras da França, onde parisienses e bordaleses abastados vêm saborear vinho branco e ostras. Lège é a única das 11 vilas da península atualmente ameaçada pelo fogo. Segundo o prefeito, o acesso estava completamente fechado e planos de contingência estavam prontos para evacuar toda a península por terra e mar, se necessário. O fogo chegou à borda de Lège, forçando a evacuação de vários campings e bairros próximos à floresta. "Nos mudamos para cá há dois anos e meio porque é um lugar adorável, e não sabemos o que vamos encontrar quando voltarmos", disse Jeanine Clarke, 46, evacuada para um centro de acolhimento com sua família e seu cachorro. Elizabeth Carron disse que estava jantando no acampamento quando viu as chamas. "O céu ficou vermelho. Preto e vermelho. Depois, aos poucos, começamos a sentir o cheiro. Havia cinzas no carro, no trailer, na barraquinha dos meus netos. Então, duas horas depois, nos aconselharam a sair." Impactos em todo o continente Na vizinha Espanha, as autoridades ainda trabalhavam para apagar incêndios que se alastravam há vários dias. Na Itália, um bombeiro de 59 anos morreu após passar mal enquanto combatia um grande incêndio florestal perto de San Cataldo, na Sicília. A operadora de infraestrutura ferroviária da Espanha, ADIF, informou que o tráfego de trens entre Mejorada del Campo e Alcalá de Henares, perto de Madri, foi suspenso devido a um incêndio florestal próximo aos trilhos. A interrupção afetou os serviços na linha de alta velocidade que liga Madri a Barcelona, um dos corredores de transporte mais movimentados do país. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas No centro do país, bombeiros, equipes de emergência e unidades militares permaneciam mobilizados enquanto as autoridades monitoravam múltiplos incêndios ativos, incluindo focos em Guadalajara, Toledo, Ciudad Real e Albacete. Ao menos 1.000 km² já foram queimados em todo o país neste ano. Mais de 10 mil mortes em excesso foram registradas na Europa e no Reino Unido nas duas últimas ondas de calor recordes, em maio e no final de junho. Cientistas afirmam que a única razão plausível para o número excepcionalmente alto de óbitos foi o calor. Autoridades da Bélgica informou que 27 de junho, durante uma das ondas de calor, foi o segundo dia mais mortal do país no século 21, com 650 mortes. A Europa está sofrendo o impacto de um clima em rápido aquecimento, com temperaturas subindo mais de duas vezes mais rápido que a média global. O Monitor Climático da Reuters, ferramenta interativa que acompanha padrões climáticos, previa uma temperatura máxima média na Europa Ocidental de 26,5°C nesta quinta-feira, o que representa 2,9°C acima da máxima normal para 23 de julho no período de 1961-1990. SECA ESGOTANDO A ÁGUA Vários países europeus estão sofrendo com a seca neste verão. A França teme ter sua menor safra de milho em 50 anos, a Romênia restringiu o acesso dos agricultores à água para irrigação, enquanto a Holanda declarou escassez hídrica. Proibições do uso de mangueiras foram introduzidas em Londres e sete ilhas gregas declararam emergência para preservar a água. Em um relatório divulgado também nesta quinta-feira, cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão alterando a forma como as secas se formam na Europa. A análise, feita pelo grupo World Weather Attribution de cientistas climáticos, disse que o calor extremo acelera a evaporação de água do solo. Os desafios estão levando soluções criativas localmente. Na região da Galícia, no noroeste da Espanha, comunidades reintroduziram gado nativo para reequilibrar ecossistemas e reduzir incêndios florestais em uma área que foi o epicentro do pior ano de incêndios do país em 2025. Uma espécie específica de gado, a ágil Cachena, conhecida localmente como "vaca-cabra", está sendo usada para pastar e eliminar a vegetação rasteira —que age como um barril de pólvora para incêndios.

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