Ao formalizar a autorização para quebras de sigilo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiará Flávio Bolsonaro (PL) a entregar os dados dele, de familiares e de cinco empresas das quais é sócio, incluindo a do advogado e amigo do candidato Willer Tomaz. O petista também quer a divulgação das informações "a toda a sociedade brasileira". Lula incluiu o CNPJ da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado é sócio, no documento a ser entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) depois que emails obtidos pela Polícia Federal indicam que o congressista compartilhava uma conta no Santander com ele. O empresário é suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Em maio de 2025, a funcionária solicitou ao banco que Flávio Bolsonaro fosse desvinculado da conta relacionada à empresa de Willer. Os dois negam. Em nota do início deste mês sobre o tema, a assessoria de comunicação do senador disse que Flávio "nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer das empresas dele". "Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa", afirmou. Usuário master é, em geral, o usuário principal de uma conta ou sistema, com permissões de acesso e administração superiores às de outros usuários. O significado exato depende do banco e do tipo de conta. A equipe de Lula pretende concretizar o anúncio feito pelo petista ainda pela manhã desta terça-feira (20), antes das agendas previstas para o dia, que incluem viagens ao Maranhão e a Pernambuco. A proposta libera os sigilos bancário, fiscal e telefônico de sua pessoa física e de seus familiares. O documento também deve ressaltar que Lula é sócio não administrador da LILS, empresa responsável pelas palestras do presidente, aberta em 2011. O presidente propõe entregar as próprias informações, além das da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e dos filhos, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva —o Lulinha —, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva. Mas a ideia é os dois candidatos apresentarem os dados ao mesmo tempo. Assim, Lula entregará o próprio material caso o adversário concorde em dar transparência aos extratos, declarações de imposto de renda, rendimentos, bens, dívidas, além de registros de chamadas de sua família e empresas. Em contrapartida, provoca o adversário a fazer movimento semelhante e autorizar as mesmas quebras sobre ele, a mulher dele, Fernanda Bolsonaro, os pais Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, além dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro. A equipe do presidente também afirma que Flávio "é sócio, conforme dados públicos abertos, em diversas empresas no Brasil e movimenta expressivos recursos em contas offshore". E elenca o escritório de advocacia, a All In One Corretora de Seguros Ltda, focada em corretores e agentes de seguros, de planos de previdência complementar e de saúde, a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda, que produz artigos feitos de grafeno, mineral mais resistente que o aço e leve cuja exploração o ex-presidente defendeu durante o mandato, e a Bolsonaro Digital Ltda, que tem a família no quadro societário e trabalha com marketing direto. Nesta segunda (19), Lula anunciou a medida durante ato de campanha em Porto Alegre e em entrevista ao SBT. "Eu sei que, em toda eleição, inventam alguma coisa contra a minha família e resolvi não ficar quieto. Esta é a minha última disputa eleitoral, e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar a minha biografia no lixo", afirmou na capital gaúcha. As declarações foram dadas um dia após o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band, no domingo (18). Durante o encontro, marcado por trocas de acusações sobre corrupção, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos para que eventuais irregularidades fossem apuradas antes da eleição. Na ocasião, o petista propôs que os dois candidatos entregassem documentos aos presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE. Flávio afirmou que não tinha nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a proposta. Em seguida, acusou Lula, sem apresentar provas, de manter recursos fora de suas contas bancárias. O embate ocorreu após Flávio cobrar explicações sobre Lulinha, citado em investigações sobre irregularidades no INSS. Lula afirmou que o filho havia autorizado o acesso a seus dados bancários e telefônicos pela Polícia Federal. O presidente, por outro lado, questionou o adversário sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e sobre um pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador para financiar um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro (PL).
Lula oferece fim de sigilos de Janja e Lulinha, e cobra de Fl�vio Bolsonaro dados de offshore de Willer Tomaz
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