Lula n�o deve responder a Milei, chamado de 'capanga do Trump' no governo

Lula n�o deve responder a Milei, chamado de 'capanga do Trump' no governo

O presidente Lula decidiu evitar dar uma resposta direta ao argentino Javier Milei depois de ser xingado por ele na convenção do PL, no sábado (25). O presidente da Argentina afirmou em discurso esperar que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), oficializado candidato a presidente pela legenda, possa "parar Lula", chamado de presidiário e ladrão. "Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar a escória socialista", seguiu. Lula se reuniu com o chanceler Mauro Vieira depois das falas de Milei e autorizou que o Itamaraty subisse o tom pelas vias diplomáticas. Em conversas com auxiliares, o presidente afirmou, no entanto, que a relação entre o Brasil e a Argentina é centenária e que eventuais divergências entre seus mandatários e rivalidades esportivas não podem poluir a relação entre os dois povos. Ele pode até, em alguma entrevista ou pronunciamento, fazer referência a Milei. Mas não dará uma resposta oficial a ele. A irritação com Milei no governo é grande. Segundo um integrante da equipe de Lula, ele é visto como um "candidato a gerente de Trump na América Latina", e por isso o presidente brasileiro precisa evitar entrar em um bate boca. Nessa análise, o petista não deve responder a Milei, que seria um "capanga de Trump", assim como não entrou em polêmica com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que também criticou o presidente brasileiro. Se for para brigar, diz o mesmo auxiliar, que seja então com o próprio chefe de ambos, Donald Trump. O governo avalia que Milei há tempos tenta "atrair Lula para o ringue". Nas palavras do mesmo auxiliar, Lula, sendo um peso pesado da política mundial, não pode entrar numa disputa com um peso pena como Milei. Coube ao chanceler Mauro Vieira elaborar a resposta ao presidente da Argentina. O Itamaraty chamou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre a relação entre os dois países —algo sem precedentes na história dos dois países, já que nunca antes um presidente da Argentina tinha cruzado as fronteiras do Brasil para xingar um mandatário brasileiro. Na sequência, depois de conversar com Lula, o chanceler decidiu ampliar a reação a Milei e convocar o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para cobrar satisfações. O chanceler Mauro Vieira voltava de uma reunião de chanceleres da Asean em Manila, nas Filipinas, quando soube, em pleno voo entre Itambul, na Turquia, e São Paulo, que Milei havia ofendido Lula e também o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, chamado de "lixo careca" na convenção do PL. Já na viagem, ele tomou a decisão de chamar o embaixador do Brasil em Buenos Aires. Mais tarde, em Brasília, conversou com Lula e ficou decidido que o embaixador da Argentina no Brasil também seria convocado a dar explicações. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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