Lula negou a banqueiros e empresários, em jantar na segunda (31) em Brasília, a informação de que considera o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, um traidor. O economista foi indicado pelo presidente para um mandato de quatro anos no comando da instituição. Assumiu o cargo em 2025, e o petista esperava que os juros baixassem . Eles estão hoje em 14%, patamar considerado muito alto. De acordo com relatos de dois empresários presentes ao encontro, o petista chamou a reportagem que afirmava que ele estava decepcionado com Galípolo de "canalha". "Isso é uma mentira. Ele é uma pessoa preparada e competente, que vai ser bom para o Brasil", afirmou Lula segundo os relatos. O presidente disse também que entende a complexidade do problema e não pode responsabilizar "uma pessoa física" pelos juros altos no país. "Agora, que eu estou puto com o Galípolo e com esses juros, eu estou", emendou Lula em tom de brincadeira, arrancando risos dos convidados, segundo apurou a coluna. O tema dos juros foi o principal do jantar, que reuniu os banqueiros André Esteves (BTG/Pactual), Roberto Setubal (Itaú/Unibanco), Ricardo Lacerda (BR Partners), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco) e os empresários Josué Gomes (Coteminas), Rubens Ometto Silveira Mello (Cosan), Joesley Batista (JBS), José Seripieri Filho (Amil), Henrique Constantino (Gol Linhas Aéreas), André Gerdau Johannpeter (Gerdau), Rubens Menin (MRV Engenharia), Eraí Maggi (Grupo Bom Futuro), Fábio Ermírio de Moraes, (Votorantim Cimentos), José Luís Cutrale Júnior (Cutrale), Chain Zaher (Grupo SEB) e João Alves de Queiroz Filho (Hypera Pharma). Roberto Setubal, um dos mais calados, foi convidado a se manifestar pelo presidente do PT, Edinho Silva. Logo de cara, afirmou que os juros precisam baixar. Foi interrompido por Josué Gomes, da Coteminas, que disse: "Presidente, quando um banqueiro diz que os juros precisam cair é porque a coisa está muito feia". A conversa seguiu em clima descontraído, mas com foco no alto custo da moeda e nos gastos do governo, além das consequências do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros. O banqueiro André Esteves, que se encontrou na semana passada com o presidente dos EUA, Donald Trump, relatou a conversa com o norte-americano e disse que ele se fereiu a Lula com "respeito e até carinho". De acordo com Esteves, Trump teria dito que Lula é "duro" com ele, mas que no lugar do brasileiro faria o mesmo. Joseley Batista, da JBS, foi direto, segundo relatos. Sobre os juros altos e a questão fiscal, ele afirmou a Lula que existe desconfiança do mercado em relação ao real compromisso do petista em manter os juros e o equilíbrio fiscal. "Precisa endereçar isso, presidente. Não podemos gastar mais do que temos." Júnior Seripieri, da Amil, relatou que ouviu de Joesley: "O segredo é vender mais e gastar menos". Afirmou que segue essa trajetória e que o conselho valeria para o governo. O empresário também fez referências positivas, dizendo que "todos nós aqui somos ricos e ganhamos dinheiro nos governos do presidente Lula". Afirmou que nenhum deles andava de ônibus, e que era preciso ter um olhar para o trabalhador que acorda as 4h e pega transporte público para ir até o emprego. Defendeu gastos socais. Henrique Constantno, da Gol, interrompeu dizendo que país desenvolvido não é aquele em que os pobres andam de carro, e sim em que os ricos andam de ônibus. Lula, que estava acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, entre outros, fez uma defesa de sua própria conduta nos três mandatos presidenciais. Afirmou que, mesmo quando podia demitir presidentes do BC —o que hoje não é possível, pois eles têm mandato —, nunca tomou a medida extrema. E se comparou a Fernando Henrique Cardoso, que, embora "moderado", em suas palavras, trocou o comando do BC três vezes em seus dois mandatos, de 1995 a 2003. O presidente bateu ainda na tecla de muitos valores hoje computados como gastos do governo são, na verdade, investimentos, como os aplicados na educação e na saúde. Sinalizou que alguns gastos, que define como investimentos, devem inclusive aumentar, caso ele crie o Ministério da Segurança Pública. Na única referência que fez ao governo de Jair Bolsonaro, disse que o ex-presidente deixou uma série de esqueletos que tiveram que ser honrados por seu governo, como o pagamento de precatórios atrasados. Afirmou, por outro lado, que sempre buscou superávit no governo. O vice Geraldo Alckmin defendeu de forma mais enfática que Lula sempre teve responsabilidade com as contas públicas, de acordo com relatos de empresários e banqueiros presentes ao encontro. Ele disse que o governo conseguiu zerar o déficit e até gerar superávit fiscal em alguns meses. Mas que o resultado, embora positivo, ainda era baixo. Mercadante afirmou que, assim como os governos de Lula tiveram compromisso de acabar com a fome e defender a democracia, é preciso ter firmeza no cumprimento das metas fiscais. Os empresários reclamaram do loteamento das agências reguladoras, e Lula afirmou que é preciso acabar com a influência de senadores e deputados sobre órgãos como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Reclamou que em muitas ocasições quis fazer indicações às agências para que o parlamento aprovasse, mas que ouviu não ser possível porque os nomes que ocupavam os cargos eram indicações de parlamentares e não poderiam ser trocados. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Lula nega a banqueiros ter chamado Gal�polo de traidor
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