Lula entoa o Hino da Independ�ncia e repete que Brasil n�o cabe no "quintal de ningu�m"

Lula entoa o Hino da Independ�ncia e repete que Brasil n�o cabe no "quintal de ningu�m"

Em discurso após a vitória nas urnas, no último domingo (25), o presidente Lula (PT) pediu que tocassem o Hino da Independência e se emocionou ao ver os manifestantes reunidos na avenida Paulista cantando a letra da canção. "Brava gente brasileira/ Longe vá, temor servil / Ou ficar a Pátria livre / Ou morrer pelo Brasil." O mandatário repetiu o que fez no sábado (24), quando entoou a canção durante o último ato de campanha, também realizado na avenida Paulista. Essa decisão se soma ao uso do verde e amarelo em manifestações petistas para resgatar símbolos nacionais, associados nos últimos anos a grupos bolsonaristas. A execução do Hino da Independência acontece em meio a críticas dos correligionários de Lula à atuação das big techs durante o período eleitoral. Para muitos deles, empresas estrangeiras da área de tecnologia tentaram influenciar as eleições e pôr em xeque a soberania nacional. Como revelou a Folha, funcionários da Meta, dona do Facebook e do Instagram, admitiram em mensagens internas que restrições prejudicaram as contas de Lula no Instagram. Um dos funcionários da empresa afirmou que a conta do presidente estava "limitada" em comparação à de Flávio e que isso seria negativo pela "alta chance" de haver ação jurídica. Em vários momentos da campanha eleitoral, Lula disse que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém". Durante a corrida presidencial, mais de 100 organizações e especialistas de 25 países divulgaram uma carta aberta em que acusam grandes empresas de tecnologia de violar regras eleitorais brasileiras. O documento pedia que autoridades nacionais e organismos internacionais fiscalizassem a atuação das plataformas. Após a vitória, o presidente criticou aquilo que considerou uma forma de direcionar as urnas. "Não podemos ter empresas monstruosas e grandes ganhando bilhões, não pagando nenhum imposto neste país, tentando direcionar o resultado eleitoral." Petistas consideram ainda que sanções econômicas impostas ao Brasil pelo governo de Donald Trump seriam uma forma de interferir em assuntos internos. Para eles, o magnata americano usou as medidas para pressionar pela soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso sob acusação de liderar uma trama golpista para permanecer no poder. Filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro já descreveu as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros como carne bovina, café, peixe e calçados como um "remédio amargo" destinado a conter o que classificou de ofensiva legal descontrolada contra seu pai. Diante desse contexto, a decisão de Lula de entoar o Hino da Independência pode ser vista como uma forma de sublinhar a autodeterminação do país e a sua autonomia política frente a influências externas. A canção, aliás, foi criada justamente com esse propósito. Isso porque ela tinha por objetivo aumentar o sentimento de patriotismo para estimular a emancipação do Brasil em relação a Portugal. De acordo com artigo de Alberto Pacheco, professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o hino começou a ganhar forma em agosto de 1822. À época, o jornalista, político e poeta Evaristo Ferreira da Veiga escreveu um poema para conclamar a população a se livrar do jugo lusitano. O poema se tornou tão popular nas ruas do Rio de Janeiro, a então capital do Brasil, que o imperador Dom Pedro 1º decidiu criar uma melodia para transformar o poema em canção. É assim, portanto, que nasceu o Hino da Independência. A música, porém, caiu no ostracismo depois que o monarca abdicou do trono em favor de seu filho, Dom Pedro 2º. Já de acordo com um texto publicado no site do Senado, a canção só voltou a ter visibilidade a partir de 1922 por ocasião do centenário da Independência. Pouco mais de cem anos depois, o hino ganha agora nova projeção diante da vitória de Lula na corrida presidencial.

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