Lula encontra empres�rios em evento em S�o Paulo ap�s proibir bets

Lula encontra empres�rios em evento em S�o Paulo ap�s proibir bets

São Paulo O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com empresários em São Paulo, nesta sexta-feira (25), atraiu um número de presentes maior que o esperado, ultrapassando 500 pessoas. Mais do que o volume de participantes, chamou a atenção a presença de lideranças de diferentes áreas de negócios, representando alguns dos principais setores da economia. O evento ocorreu após a assinatura de medida provisória para proibir as apostas online em todo o país. Foram ouvir Lula no Hotel Tivoli Mofarrej, na alameda Santos, região da avenida Paulista, Joesley Batista, acionista da J&F e membro do conselho de administração da JBS, líder do setor de carnes; Gustavo Pimenta, CEO da Vale, uma das maiores mineradoras do mundo; e Rodrigo Vidigal, presidente da fabricante de celulares Motorola no Brasil. Do setor financeiro, participaram, por exemplo, Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, e Ricardo Lacerda, sócio-fundador e CEO do BR Partners Banco de Investimentos. O presidente Lula (PT) durante encontro do grupo Esfera com empresários, em São Paulo - Rubens Cavallari/Folhapress Na área de energia, marcaram presença Ivan Monteiro, CEO da Axia Energia, antiga Eletrobras; João Brito Martins, CEO da EDP para a América do Sul; e Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração da Cosan. Ometto chegou ao hotel praticamente ao mesmo tempo que Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo. Promovido pela Esfera Brasil, pelo grupo jurídico Prerrogativas e pelo Parlatório, o encontro abriu uma série de conversas dos organizadores com candidatos à Presidência para discutir suas propostas, especialmente para a economia. O evento ocorreu a nove dias do primeiro turno. Outros presidenciáveis também foram convidados a participar de encontros semelhantes. O clima que antecedeu a fala do presidente era de expectativa. Como definiu um executivo presente, os empresários esperavam que Lula sinalizasse um norte para a economia, especialmente em relação à política fiscal. Entre as preocupações mencionadas pelos participantes estavam os juros elevados e o endividamento das famílias. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesEntre empresários ouvidos pela Folha no coquetel que antecedeu o evento, havia a expectativa de que a reta final da campanha e a disputa apertada entre Lula e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, levassem o presidente a adotar um discurso mais pragmático e a sinalizar maior compromisso com as contas públicas. O presidente do grupo Parlatório, Carlos Marques, afirmou que reconhece o esforço do governo para enfrentar a dívida pública, inclusive após o anúncio da proibição das bets, mas disse que "um cenário difícil se avizinha". Os problemas no Orçamento, afirmou ele, "geram o risco de travar o país." Lírio Parisoto, fundador da Innova, disse ter gostado da medida contra as bets, mas considerou tardia a restrição da atividade que, segundo ele, "nem deveria ter sido liberada". "Além de atrapalhar os negócios, principalmente o varejo, esse é um dinheiro que voa do Brasil", diz Parisotto. Questionado sobre as preferências do empresariado por Lula ou Flávio Bolsonaro, ele evita declarar suas expectativas para o próximo governo e afirma que é preciso ouvir as propostas de todos os candidatos porque "estamos em uma democracia". Parisotto afirma que não foi a um evento semelhante de Flávio. Outro bilionário ouvido pela Folha diz que a grande expectativa de quem veio assistir às falas de Lula nesta noite era ouvir do presidente uma declaração mais firme de compromisso com responsabilidade fiscal. A música para os ouvidos dos empresários seria a queda da taxa de juros, algo que esse peso-p esado da indústria diz ser um desejo do presidente Lula, mas falta melhorar as condições para isso. Marcos Almeida, CEO da Brookfield no Brasil, após elogiar aprovação recente de um incentivo tributário para data centers, diz que tem apenas um pedido para Lula: "Que o governo lute para reconquistar o grau de investimento." Esse reconhecimento, segundo Almeida, seria atingido com melhorias nas contas públicas e traria novos projetos de infraestrutura ao Brasil. A canadense Brookfield é dona de metade da Ascenty, maior empresa brasileira de complexos de processamento de dados. Nos bastidores, o evento foi organizado com diferentes níveis de salas VIP. Antes da chegada de Lula, estavam em uma delas o vice-presidente Geraldo Alckmin; Fernando Haddad; e empresários como Ometto, Maluhy e Joesley Batista. Havia ainda advogados e alguns jornalistas. Quando Lula chegou, o espaço foi esvaziado e os convidados seguiram para uma segunda área. Joesley também deixou a sala, mas, pouco depois, assessores do presidente foram buscá-lo para levá-lo ao espaço mais reservado do evento, o chamado VIP 1, onde estava Lula. Também estavam no VIP 1 Jorge Messias, advogado-geral da União, e Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento e Orçamento e candidata ao Senado por São Paulo. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do petista em São Paulo e do Prerrogativas, disse que a casa estava lotada e pediu desculpas por não poder receber todo mundo com conforto. "Era um pedido do presidente Lula."

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