Lula deve abdicar da presid�ncia em prol de Alckmin

Lula deve abdicar da presid�ncia em prol de Alckmin

Flávio Bolsonaro (PL) ter ficado na frente de Lula (PT) no primeiro turno dessas eleições surpreendeu apenas quem vivia completamente desconectado da realidade, preso nas bolhas virtuais. Há pouquíssima margem para uma reviravolta nas próximas semanas. Só resta uma cartada heroica para evitar que o autoproclamado maior estadista do século 21 perca para o candidato associado a milicianos. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha A campanha do petista prometeu expor mais Geraldo Alckmin. É pouco. Lula deveria retirar a sua candidatura e passar a cabeça de chapa a seu vice. Como a legislação não permite que um dos candidatos abdique da candidatura sem prejuízo da chapa nesta altura do campeonato, Lula deveria prometer que, caso seja eleito, renunciará no primeiro dia de mandato e permitirá que Alckmin assuma a Presidência da República. Tal promessa pode gerar ganhos eleitorais. A chapa reteria integralmente a base do eleitorado lulista, e ainda abocanharia parte do eleitorado de Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Acante) e até Ronaldo Caiado (PSD). E quiçá estimularia os 21,08% de eleitores que não foram às urnas no primeiro turno a participarem da renovação do pacto democrático no país. Um governo Alckmin seria capaz de recompor a aliança com setores não petistas que elegeram a frente ampla de Lula em 2022, mas foram abandonados durante seu mandato. Nas três vitórias anteriores, Lula fez alguma grande concessão ao eleitor não petista, ou seja, houve um esforço para dizer ao eleitor de centro que Lula também governaria para ele. Em 2002 houve a "Carta ao Povo Brasileiro" e a construção da chapa com José Alencar, um empresário de tendências liberais. Esse aceno ao Brasil amplo garantiu os dois mandatos de Lula. Em 2022 houve outra grande inovação bastante surpreendente, que derrubou o opositor e incumbente Jair Bolsonaro (PL). Lula articulou a construção da chapa com um adversário histórico do PT, Geraldo Alckmin, hoje no PSB, mas antes do PSDB, partido com o qual os petistas polarizaram por duas décadas a política brasileira. Nesta eleição para o quarto mandato, nem a manutenção da chapa com Alckmin foi suficiente para manter a imagem de Lula como símbolo da democracia. Há um claro cansaço com a imagem do petista. Em 37 anos ele participou de nada menos que sete eleições presidenciais (1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022 e 2026). E nas que não se candidatou (2010 e 2014), foi eminência parda. A grande dificuldade do petismo é Lula. Ele sempre foi popular, é verdade. Já teve picos de 80% de aceitação na sociedade, no segundo mandato. Mas de 2013 para cá o presidente não consegue ser engolido pela maioria da população. Muitos reclamam da ausência de outros nomes nas esquerdas, mas ninguém no petismo é capaz de questionar abertamente o líder e fazer uma mudança concreta. Quase todos preferem esperar o fim da carreira de Lula para tentar alçar voos independentes. Pode ser tarde demais. O buraco da política brasileira é fundo, e a própria esquerda petista ajudou muito a cavá-lo. Nesse cenário, o que fazer? Somente um ato inovador, que pegue todos de supetão, pode trazer alguma esperança. Para isso serve o vice. Não é apenas um personagem decorativo. A renúncia programada pode ser a única forma de o PT manter os dedos mesmo perdendo os anéis. Lula seria capaz desse ato de grandeza no fim da carreira? Em nome do Brasil, poderia se desprender de seu ego gigantesco e de fato construir uma ponte com a sociedade brasileira? E o PT, seria magnânimo a ponto de saber recuar brevemente para não sofrer uma derrota histórica? A probabilidade de Lula e o PT abdicarem da presidência é quase nula. Essa improbabilidade valoriza ainda mais o ato magnânimo. A ver se o espírito democrático de nossa esquerda hegemônica ganha do personalismo. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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